Desafios humanitários continuam a crescer e representam ‘crise de espírito’ no Iraque, alerta ONU

Dificuldade de acesso à população, desamparo dos desabrigados e chegada do inverno são os maiores obstáculos à sobrevivência de milhares de pessoas no país.

Uma menina de oito anos segura o seu irmão de três em uma escola no Curdistão, onde encontraram refúgio depois de fugirem da violência em Mossul. Foto: ACNUR/S.Baldwin

Uma menina de oito anos segura o seu irmão de três em uma escola no Curdistão, onde encontraram refúgio depois de fugirem da violência em Mossul. Foto: ACNUR/S.Baldwin

A deterioração da situação humanitária no Iraque é mais do que uma crise de alimentos e de abrigo. Trata-se de uma “crise de espírito”, que requer ação imediata da comunidade internacional, afirmou o vice-coordenador humanitário das Nações Unidas, Kevin Kennedy,  nesta terça-feira (07).

De acordo com Kennedy, os desafios no país persistem e continuam a crescer, dentre os quais três obstáculos são os principais. O primeiro deles é o acesso, uma vez que é muito difícil alcançar as cerca de 500 mil pessoas que necessitam de apoio na província de Anbar – que não é controlada pelas forças do governo iraquiano e abriga cerca de 400 mil deslocados internos.

O segundo grande desafio é o abrigo, uma vez que existem cerca de 800 mil deslocados internos no Curdistão e estima-se que 390 mil pessoas precisem ser acolhidas – vivendo atualmente em escolas, debaixo de pontes ou em péssimas condições a céu aberto. Os campos que estão sendo construídos vão acomodar 220 mil pessoas – deixando 170 mil ainda sem abrigo.

Em terceiro lugar, a chegada do inverno representa também uma grande preocupação, dado que as temperaturas podem chegar a 16 graus negativos com neve, chuva e vento – o que coloca a vida de muitas pessoas em risco.

O governo do Iraque e a ONU firmaram um plano em conjunto para prover abrigo, alimentos e saneamento à população durante as próximas semanas. Além disso, as agências da ONU e seus parceiros continuam com seus esforços para fornecer assistência alimentar a 1 milhão de pessoas por mês e suprimentos médicos para a população, além de participar da construção de novos abrigos.