Desafios à paz e segurança no Sahel africano precisam de ‘abordagem holística’, diz ONU

Bintou Keita, secretário-geral assistente da ONU para operações de paz (à esquerda) durante reunião no Conselho de Segurança sobre a Força Conjunta do G5 Sahel. Foto: ONU/Cia Pak

Uma “abordagem holística” é necessária para os desafios relacionados à paz e segurança na vasta região do Sahel africano, declarou uma representante das forças de paz da ONU ao Conselho de Segurança, ao pedir mais investimentos em boa governança, serviços sociais e oportunidades para os jovens.

Bintou Keita, secretária-geral assistente da ONU para operações de manutenção de paz, declarou ao Conselho de Segurança que o combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional continua sendo o maior desafio para tornar operacional a nova força de segurança multinacional do G5 Sahel, uma aliança estabelecida por cinco países daquela região.

“Não esqueçamos aqueles que mais sofrem, a população local – civis –, que continuam sendo intimidados e assediados e vivem com medo por suas vidas diariamente; que não podem enviar seus filhos para a escola ou ter suas necessidades mais básicas atendidas, incluindo o acesso à alimentação e nutrição”, declarou a oficial.

Keita acrescentou que, desde a autorização da Força Conjunta pela União Africana e a renovação do seu mandato no mês de abril, um “progresso notável” foi feito – incluindo o envio de tropas no terreno e a criação de postos de comando e quartéis-generais.

“Entretanto, ainda há muito trabalho à frente. A operacionalização da Força Conjunta sofreu atrasos e ainda não alcançou plena capacidade operacional”, disse ela, ao pedir para que os Estados-membros do G5 Sahel enviem suas tropas remanescentes o quanto antes.

Ela ressaltou a importância de abordar os recentes relatos de violações de direitos humanos por parte das forças de segurança na região e pediu para que os países estabeleçam uma estrutura de conformidade com os direitos humanos e direito internacional humanitário que seja de rápida implementação.

Embora Keita tenha aplaudido a comunidade internacional por seu apoio à Força Conjunta, a oficial também declarou que manter a estrutura em funcionamento exigiria “esforços constantes de geração de recursos” e que, em médio e longo prazo, o desafio é manter a continuidade do financiamento.

“Além disso, as Nações Unidas continuarão a depender de outros países, para poderem implementar medidas de apoio à Força Conjunta determinadas pela resolução 2391(2017) do Conselho de Segurança”, disse ela.

Nessa resolução, o Conselho solicitou ao secretário-geral que concluísse um acordo técnico entre a ONU, a União Europeia e os Estados do G5 Sahel – Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger – com o objetivo de fornecer apoio operacional e logístico por meio da Missão Multidimensional para Estabilização Integrada das Nações Unidas do Mali (MINUSMA) para a Força Conjunta, que conduz operações antiterroristas transfronteiriças em toda a região.