Delegação do Conselho de Segurança faz visita diplomática ao Burundi para acabar com crise política

Diplomatas se reuniram com dirigentes do país para estimular as partes a iniciarem processo de diálogo inclusivo e alcançar estabilidade política.

Membros do Conselho de Segurança chegaram à Bujumbura na quinta-feira (21) para ajudar a acabar com a instabilidade política que gerou violência no país. Foto: MONUSCO/Jean Tobie Okala

Membros do Conselho de Segurança chegaram à Bujumbura na quinta-feira (21) para ajudar a acabar com a instabilidade política que gerou violência no país.
Foto: MONUSCO/Jean Tobie Okala

Diplomatas do Conselho de Segurança da ONU fizeram visita ao Burundi na sexta-feira (22), onde realizaram reuniões com representantes do governo na capital, Bujumbura, para encorajar todas as partes a buscarem um processo de diálogo inclusivo, que poderia ajudar a acabar com meses de instabilidade política e violência.

Após reunião com o presidente do país, Pierre Nkurunziza, a delegação revisou a situação de segurança do Burundi e a proposta de mediação pela Comunidade da África Oriental (EAC), liderada pelo presidente de Uganda, Yoweri Museveni.
“Nós também concordamos que o Conselho deve pensar em como poderia apoiar essa mediação a fim de produzir resultados que diminuíssem as tensões atuais no Burundi”, afirmou o embaixador da Angola, Ismael Gaspar Martins.

A iniciativa diplomática do Conselho de Segurança veio seguida do alerta realizado pelo alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, que apontou para novas tendências “alarmantes” no Burundi, incluindo casos de violência sexual por agentes das forças de segurança e um intenso aumento de casos de desaparecimentos forçados e tortura.

Zeid pediu por investigação urgente sobre ataques contra três campos militares, casos de violações de direitos humanos que ocorrerem durante e após as operações de busca que ocorreram em 11 e 12 de dezembro em Bujumbura, incluindo os relatos de ao menos nove valas comuns.

O país enfrenta grave crise política depois que o presidente Nkurunziza decidiu disputar um terceiro mandato em 2015 – considerado inconstitucional pelo Acordo de Arusha. Desde então, centenas de pessoas foram mortas, cerca de 220 mil procuraram refúgio em nações vizinhas e milhares abandonaram suas casas dentro do país.