Debate em SP discute papel do mercado financeiro no combate às mudanças climáticas

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Os mercados financeiros vêm incorporando cada vez mais elementos socioambientais em seus índices, o que, consequentemente, influencia na escolha de projetos para investimento. Por esse motivo, empresas precisam monitorar, relatar e mitigar a emissão de carbono que geram em suas atividades.

Este foi um dos principais pontos debatidos no 4° Workshop “Diálogos de Financiamento Climático”, promovido pelo Grupo de Trabalho de Energia e Clima da Rede Brasil do Pacto Global no fim de outubro (17) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista.

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Os mercados financeiros têm incorporado cada vez mais elementos socioambientais em seus índices, o que, consequentemente, influencia na escolha de projetos para investimento. Por esse motivo, empresas precisam monitorar, relatar e mitigar a emissão de carbono geradas por suas atividades.

Este foi um dos principais pontos debatidos no 4° Workshop “Diálogos de Financiamento Climático”, promovido pelo Grupo de Trabalho de Energia e Clima da Rede Brasil do Pacto Global no fim de outubro (17) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista.

Pesquisadores e representantes de diversas empresas compartilharam conhecimentos em sustentabilidade para acesso aos recursos financeiros destinados à contenção dos avanços das mudanças climáticas.

Annelise Vendramini, professora e pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Fundação Getulio Vargas (FGV), explicou que o momento é de grandes mudanças no setor, e para que a transição para a economia de baixo carbono ocorra de forma eficiente, é necessário unir diversos atores: os governos, para regulamentar as emissões, o setor privado, que deve produzir de forma sustentável, e o setor financeiro, para subsidiar este processo.

“A mudança do clima veio para ficar. Trata-se de uma nova era geológica, e o mundo econômico e político precisam encontrar respostas para estarmos alinhados a esse novo momento em que o planeta se encontra”, salientou.

Nesse contexto, um estudo realizado pelo Conselho de Estabilidade Financeira, órgão que regula o sistema financeiro internacional, sugere o diálogo entre investidores e empresas sobre os riscos envolvidos quanto à mudança do clima e a transição para uma economia de baixo carbono, o que inclui a precificação de carbono e a introdução de títulos verdes no mercado de capitais, conhecidos como “green bonds”.

“A mudança do clima precisa entrar nas discussões gerenciais das empresas para que bancos e investidores possam direcionar seus recursos de forma sustentável. É preciso tornar os fluxos financeiros consistentes para promover o desenvolvimento baseado em baixas emissões de carbono e resiliente às mudanças climáticas, pois essa já é uma realidade e precisamos adaptar nossas formas de fazer negócios”, recomenda Vendramini.

De acordo com a pesquisadora, dos 197 países, 168 assinaram em 2016 o Acordo de Paris, tratado sobre a mudança do clima que rege medidas de redução das emissões de carbono a partir de 2020. Nesse cenário de transição, ela disse que o Brasil possui um papel fundamental a desempenhar, principalmente quanto ao uso consciente da terra pelo agronegócio.

“Ao apresentar sua Contribuição Nacionalmente Determinada (INDC) ao acordo, o Brasil passou a ser um ator importante no centro da agenda climática, podendo fazer com que seu produto se desenvolva e seja um protagonista desses novos compromissos como base na competitividade sustentável”, disse.

Segundo ela, atualmente, mais de 40 países possuem mecanismos de precificação de carbono, seja em formato de tributação, de mercado ou de modo híbrido, interferindo diretamente nas funções econômico-financeiras dos países e das empresas. O Ministério da Fazenda brasileiro vem estudando as opções sobre os melhores caminhos para a precificação do carbono e quais seriam os preços e impactos para diferentes setores da economia, acrescentou.

Impactos futuros e inovação

A gerente de sustentabilidade do Itaú Unibanco, Maria Eugênia Taborda, acredita que conscientizar e mobilizar todos os setores das empresas sobre o tema, de forma interna e externa, é fundamental para avaliar riscos, oportunidades e elaborar métricas para qualificar como as mudanças no clima estão interferindo nos negócios.

“As questões climáticas talvez não sejam a pauta mais importante para as empresas no momento, mas definitivamente não se pode ignorá-la. E a precificação de carbono é um dos primeiros passos para que isso ocorra, já que, enquanto não há uma interferência nos preços, nada muda”, afirmou.

Ela disse que as linhas de financiamento ou de crédito já estão atrelando variáveis socioambientais em avaliações de risco para saber quais os impactos das mudanças climáticas e como isso afeta a receita e o mercado das empresas. “Além disso, é preciso pensar nos impactos futuros e romper com a mentalidade de curto prazo para enxergar caminhos inovadores”, acrescentou.

Verbas públicas

Por meio de financiamento público, cerca de 15 bilhões de reais são destinados por ano a projetos que envolvem a economia verde, revelou Raphael Stein, da área de Meio Ambiente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Apesar de crescente, esse valor representa apenas cerca de 16% do total de investimentos feitos pelo banco. “Para avançar com esses números, temos uma política de melhores condições para projetos ambientalmente amigáveis, principalmente quando se trata de geração de energia solar e eólica”, disse.

A tendência, segundo Stein, é que bancos e fundos de investimentos empreguem seus recursos apenas por meio de títulos verdes. “O cenário atual vem exigindo que empresas e projetos apresentem suas diligências de impactos socioambientais e estimativas de redução de emissões de carbono. Na mesma medida, há uma diversidade de fundos de investimento disponíveis por meio de ‘green bonds’, e a procura por esse tipo de recurso vem crescendo, o que diminui a taxa de juros para quem pretende captar por essa modalidade”, afirmou.

Workshops e publicação

Este foi o último da série de quatro workshops que, ao longo de 2017, reuniu diversas instituições financeiras e empresas interessadas em investimentos verdes. O coordenador do GT de Energia e Clima da Rede Brasil do Pacto Global e coordenador de sustentabilidade da Braskem, Luiz Xavier, avaliou que, desde o primeiro encontro, em abril, a iniciativa foi essencial para mobilizar a comunidade empresarial a focar em negócios sustentáveis.

“Trazer mais informações e compartilhar conhecimentos foi fundamental para estabelecer a interação entre investidores e empresas interessadas em recursos verdes. Esperamos que o fechamento desse ciclo tenha aberto mais portas e gerado novas oportunidades rumo ao cumprimento da Agenda 2030”, ressaltou.

Em 2018, a Rede Brasil lançará uma publicação com as principais temáticas e ações discutidas. O objetivo é que o conteúdo possa continuar facilitando o acesso das empresas às fontes de financiamento voltados para a economia verde.


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