De Kiev ao Rio: solicitante de refúgio ucraniano busca melhores condições de vida no Brasil

Oskar Slushchenko, ucraniano de 27 anos, deixou seu país de origem em 2014 por causa do conflito separatista que eclodiu no leste da Ucrânia, em abril do mesmo ano. Formado em Relações Internacionais, o jovem vivia e trabalhava na capital federal, Kiev. Com os confrontos na porção oriental do território, Oskar viu seu país enfrentar instabilidade política e econômica. Sem ter certeza sobre o seu futuro, resolveu vir para o Brasil.

Oskar Slushchenko, ucraniano de 27 anos, deixou seu país de origem em 2014 por causa do conflito separatista que eclodiu no leste da Ucrânia, em abril do mesmo ano. Formado em Relações Internacionais, o jovem vivia e trabalhava na capital federal, Kiev. Com os confrontos na porção oriental do território, Oskar viu seu país enfrentar instabilidade política e econômica. Sem ter certeza sobre o seu futuro, resolveu vir para o Brasil.

Enfrentamentos militares começaram há mais de três anos, nas províncias de Donetsk e Luhansk, após a tomada da região da Crimeia por entidades armadas. A ocupação levou à realização de um referendo que aprovou, em meados de março, a anexação da Crimeia ao território da Rússia. O pleito não foi reconhecido pela Assembleia Geral da ONU, que, à época, reafirmou seu apoio à soberania nacional ucraniana.

Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), confrontos já forçaram 1,8 milhões de pessoas a deixar suas casas, localizadas nas zonas afetadas pela violência. Elas se tornaram deslocadas internas, vivendo sem residência fixa em seu próprio país.

Até o momento, cerca de 10 mil indivíduos — dos quais 2 mil eram civis — morreram em meio às ofensivas.Outros 23 mil ficaram feridos, segundo o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Em 2016, havia 3,3 mil refugiados e 6,5 mil solicitantes de refúgio ucranianos espalhados pelo mundo, segundo a ONU.

Oskar morava longe das áreas diretamente atingidas pelos conflitos, mas conta que a guerra trouxe consequências não apenas para os que estavam sob o fogo cruzado dos combates, mas para a toda a população da Ucrânia.

O cenário motivou o ucraniano a viajar para o Brasil, aonde chegou em junho de 2014, às vésperas da Copa do Mundo. O jovem logo viu que o futebol podia ser mais que uma paixão de torcedor. Em Salvador, Oskar trabalhou como voluntário da organização não governamental AIESEC, em projetos que promoviam a prática do esporte entre crianças de oito a 13 anos.

Após um mês e meio na capital baiana, ele foi morar em Ponta Grossa e Curitiba, no Paraná, também para atuar como voluntário. Passados seis meses no Brasil, Oskar teve de deixar o país por conta das restrições do governo quanto ao tempo de permanência de estrangeiros. Ao final de 2014, o ucraniano se instalou no Paraguai, ficando por lá durante dois anos.

Em novembro do ano passado, o rapaz voltou ao Paraná, onde foi acolhido por comunidades de descendentes ucranianos e solicitou refúgio às autoridades brasileiras. Em julho de 2017, ele veio morar no Rio de Janeiro.

Na Ucrânia, o conflito continua no leste. Mesmo após a adoção de tratados pela paz, como os Acordos de Minsk, implementados há pouco mais de dois anos, hostilidades são recorrentes, deixando a população das regiões em conflito extremamente vulneráveis.

No plano econômico, a guerra prolongada foi um dos motivos da recessão de 16% registrada no biênio 2014-2015, segundo estimativas coletadas pelo Banco Mundial. Em 2016, o desemprego afetava 8,9% da população. Entre os jovens, a taxa era de 21,3%.