Darfur: risco de doenças aumenta enquanto ajuda humanitária permanece suspensa

Autoridades sudanesas fecharam o acesso de ajuda humanitária depois de recentes protestos e confrontos mortais em Kalma, em decorrência da conclusão da última rodada de negociações de paz para Darfur em Doha, Catar.

Crianças no campo de refugiados de Kalma, deslocadas devido ao conflito em Darfur. O governo do Sudão está criando dificuldades para os grupos de ajuda humanitária que atuam na região. Foto: ONU.As Nações Unidas expressam preocupação de que surtos de doenças infecciosas tais como a malária poderiam surgir em breve em um grande campo para pessoas deslocadas internamente (DPI) em Darfur, região do Sudão que foi palco de recente violência mortal e que atualmente está fechado para os trabalhadores humanitários.

Grupos de ajuda permanecem na espera de autorização para entrar no campo de Kalma, que abriga mais de 100 mil pessoas em consequência do conflito em Darfur, registrou nesta quinta-feira (12) a Missão de Paz conjunta das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID). Além disso, o acampamento não tem nenhum sistema de serviço de saúde operacional, porque os médicos que fariam isto são baseados em Nyala, nas proximidades ao sul da capital de Darfur, aguardando permissão para entrar.

A UNAMID disse que existem preocupações crescentes de que doenças infecciosas possam surgir no campo por causa das fortes chuvas na região, juntamente com bolsões de água parada e a falta de abrigo e de mosquiteiros.

Os grupos também estão impossibilitados de fornecer e distribuir alimento no mês de agosto, enquanto as reservas de combustível, necessárias para bombear água limpa, também estão acabando. Cerca de 5 mil pessoas perto do centro de policiamento comunitário (CPC) estão sem abrigo adequado à estação das chuvas, embora a polícia tenha ajudado a UNAMID a entregar grandes tendas para ajudar algumas destas pessoas.

As autoridades sudanesas fecharam o acesso de ajuda humanitária depois de recentes protestos e confrontos mortais em Kalma, em decorrência da conclusão da última rodada de negociações de paz para Darfur em Doha, Catar. Alguns PDIs alegaram não terem sido representados.

Os representantes do governo no sul de Darfur estão exigindo que a UNAMID entregue seis líderes locais, sendo cinco homens e uma mulher, que buscaram proteção no CPC na sequência dos protestos.

Uma equipe da UNAMID, que visitou Kalma na quarta-feira (11), relatou que grande parte do campo parecia deserta, pois os habitantes têm saído para o CPC ou para uma das vilas vizinhas. No mesmo dia, o Representante Especial da União Africana e da ONU para Darfur, Ibrahim Gambari, e o Coordenador Humanitário e Residente da ONU no Sudão, Georg Charpentier, viajaram a Kalma para se encontrarem com as autoridades locais na tentativa de resolver as tensões.