Darfur: ONU pede que Sudão melhore situação de milhões de deslocados

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Escritório de Direitos Humanos da ONU e Missão da União Africana e da ONU na região detalharam a situação de 2,6 milhões deslocados pelo conflito. Relatório afirma que há “motivos razoáveis” para acreditar que operações militares do governo resultaram em violações graves do direito humanitário internacional e dos direitos humanos.

Mulheres deslocadas da área de Jebel Marra, em Darfur, ao lado de abrigo temporário em Tawilla, Darfur do Norte. Foto: OCHA/Amy Martin

Mulheres deslocadas da área de Jebel Marra, em Darfur, ao lado de abrigo temporário em Tawilla, Darfur do Norte. Foto: OCHA/Amy Martin

O Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu ao governo do Sudão que promova políticas efetivas, transparentes e duráveis para permitir que 2,6 milhões deslocados pelo conflito em Darfur possam voltar para as suas casas de forma voluntária ou sejam integradas às comunidades anfitriãs.

O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, fez um apelo ao governo para que aborde questões fundamentais que impedem o retorno dos deslocados. Entre elas está a violência contínua, incluindo por milícias armadas.

Segundo Zeid, a situação é marcada por medos “justificáveis” das pessoas por sua segurança e a falta de serviços básicos, o que as deixa dependentes de ajuda.

Um relatório produzido pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU e pela Missão da União Africana e das Nações Unidas em Darfur (UNAMID) detalha a situação dos deslocados internos de janeiro de 2014 a dezembro de 2016.

O período foi marcado pela campanha militar governamental ‘Verão Decisivo’, que teria levado ao deslocamento em massa da população civil.

O relatório afirma que há “motivos razoáveis” para acreditar que as operações militares resultaram em violações graves do direito humanitário internacional e dos direitos humanos.

O documento menciona que, apesar de um cessar-fogo entre o governo e vários grupos armados de oposição, a violência contra os deslocados internos continua generalizada e a impunidade a violações de direitos humanos continua.

Tensões entre grupos étnicos – frequentemente por disputa de terra – continuam a acontecer, muitas vezes levando a violência e mais deslocamento.

Na maioria dos 66 campos na região de Darfur, a UNAMID ainda documenta casos de tiroteios aleatórios durante a noite, assédio a deslocados e violência sexual, incluindo estupro.

As vítimas citaram a ausência de postos policiais, a falta de confiança nas autoridades, o estigma social e o medo de represálias como razões para não relatarem os ataques.

Segundo o representante especial da UNAMID, Jeremiah Mamabolo, a suspensão dos combates forneceu uma oportunidade de focar na situação dos deslocados internos, que afirmou ser “crucial” para chegar à paz.

Mamabolo fez um apelo ao governo do Sudão para que “implemente os elementos-chave estabelecidos no Documento de Doha para Paz em Darfur” e renovou seu pedido a todos os lados que se envolvam plenamente nas ações para levar paz duradoura à região.

(Da ONU News em Nova Iorque)


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