Darfur: ONU pede calma na retomada de conflitos na região

A missão conjunta da Organização das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID) pediu nesta quarta-feira (04) ao governo do Sudão e a um dos principais grupos insurgentes do oeste do país que interrompam os confrontos, retomados entre os dois lados, apesar de estar em andamento um processo de paz na região.

A missão conjunta da Organização das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID) pediu nesta quarta-feira (04) ao governo do Sudão e a um dos principais grupos insurgentes do oeste do país que interrompam os confrontos, retomados entre os dois lados, apesar de estar em andamento um processo de paz na região. Os últimos combates entre as tropas governamentais e as forças do Movimento Justiça e Igualdade (JEM) resultaram em um número desconhecido de vítimas e pessoas deslocadas, relatou a UNAMID.

A partir da construção de escolas, missão conjunta da ONU e da União Africana em Darfur (UNAMID) ajuda a tirar crianças da guerra civil. Foto: UN/Albert Gonzalez Farran.
A partir da construção de escolas, missão conjunta da ONU e da União Africana em Darfur (UNAMID) ajuda a tirar crianças da guerra civil. Foto: UN/Albert Gonzalez Farran.

“Fomos informados que o Porta-voz do JEM fez observações sobre a suspensão de sua participação nas conversações de Doha e também que esta suspensão é temporária, dependendo da resolução de questões-chave. Esperamos que as negociações continuem”, afirmou um Porta-voz do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. Em fevereiro, o governo sudanês e o JEM assinaram um acordo em Doha, no Catar, de modo a preparar o caminho para uma resolução final do conflito em Darfur. A negociação incluiu uma disposição para a trégua.

Os mediadores estão dialogando com a liderança do JEM e pediram que o grupo permaneça comprometido com a trégua, para concluir as conversações com o governo sobre o acordo de cessar-fogo, bem como o acordo final de paz.

A violência em Darfur teve início em 2003, com diversos grupos de rebeldes – incluindo o JEM e o Movimento/Exército de Libertação do Sudão (SLM/A) –, pegando em armas contra o governo e acusando as autoridades de negligenciar a região. Estimativas indicam que o conflito resultou na morte de cerca de 300 mil pessoas. Pelo menos 4,7 milhões de habitantes de Darfur foram afetados pelo conflito, sendo que a maioria deles hoje vive internamente deslocados (IDPs, na sigla em inglês) ou como refugiados no país vizinho Chade.