‘Dar poder às mulheres é quebrar barreiras estruturais’, diz secretário-geral da ONU

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

‘Com quase 1 bilhão de mulheres entrando na economia global na próxima década, o empoderamento liberará o potencial de todas essas mulheres e meninas, e elas levarão o mundo a um novo futuro’, disse António Guterres durante sessão anual da Comissão sobre o Status da Mulher, em Nova Iorque.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, em discurso na 61ª Comissão sobre o Status da Mulher. Foto: ONU / Rick Bajornas

O secretário-geral da ONU, António Guterres, em discurso na 61ª Comissão sobre o Status da Mulher. Foto: ONU / Rick Bajornas

Em declaração na abertura da 61ª Comissão sobre o Status da Mulher, realizada na semana passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “em um mundo dominado pelos homens, o empoderamento feminino deve ser uma prioridade internacional”.

“Precisamos de mais mulheres líderes. E nosso mundo precisa de mais homens defendendo a igualdade de gênero”, destacou.

Guterres observou que o empoderamento feminino é sobre a quebra de barreiras estruturais. “Com quase 1 bilhão de mulheres entrando na economia global na próxima década, o empoderamento liberará o potencial de todas essas mulheres e meninas, e elas levarão o mundo a um novo futuro.”

Segundo o secretário-geral, a igualdade das mulheres ainda pode adicionar 12 trilhões de dólares ao crescimento global na próxima década.

Ele falou ainda sobre a importância da participação das mulheres nos processos de paz. De acordo com o chefe da ONU, quando as mulheres estão envolvidas em missões de paz, as chances de se alcançar a paz sobem para 35%.

Atualmente, Guterres afirmou que as operações de paz das Nações Unidas contam com apenas 3% de mulheres.

“Peço aos Estados-membros que aumentem o nível de participação feminina em suas tropas”, disse.

Em discurso no evento, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, destacou um lento progresso na igualdade de gênero.

“Os desenvolvimentos positivos muito necessários não estão acontecendo rápido o suficiente”, ressaltou.

Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres, na abertura da Comissão sobre o Status da Mulher. Foto: ONU / Rick Bajornas

Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres, na abertura da Comissão sobre o Status da Mulher. Foto: ONU / Rick Bajornas

Ela observou que mais da metade de todas as trabalhadoras do mundo – e até 90% em alguns países – são empregadas informalmente, incluindo cuidadoras cujas outras oportunidades de vida podem ser limitadas enquanto executam o trabalho não remunerado de cuidar do lar.

Há 190 milhões de mulheres no setor informal na Índia, observou a alta funcionária da ONU.

“As mulheres também estão obviamente ganhando consideravelmente menos do que os homens – uma lacuna que as representantes femininas consideram como um roubo à luz do dia”, disse Mlambo-Ngcuka.

O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Peter Thomson, disse que vai recorrer à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável para encontrar a fé e ter a certeza de que seus netos não viverão em um mundo que ainda não tem o direito humano básico de igualdade entre homens e mulheres.

“O preâmbulo da Agenda, sua introdução, sua visão transformacional e seus princípios e compromissos compartilhados estão todos permeados com a lógica da igualdade de gênero”, disse ele, observando que o parágrafo 20 declara que a realização de todo o potencial humano e do desenvolvimento sustentável não será possível se continuar sendo negados os direitos e oportunidades a metade da humanidade.

“O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número cinco se destina especificamente a alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas”, acrescentou.

A 61ª Comissão sobre o Status da Mulher é o maior fórum intergovernamental sobre direitos da mulher e igualdade de gênero. O tema deste ano é o empoderamento econômico das mulheres na mudança do mundo do trabalho.


Mais notícias de:

Comente

comentários