Mais meninas na escola, porém com altas taxas de evasão

Em reunião na capital senegalesa, Dacar, especialistas em educação disseram que muitas meninas ainda pensam em deixar a escola antes do nível secundário. Segundo o UNICEF, há duas vezes mais escolas primárias funcionando no mundo todo desde 2000, mas apenas cerca de um terço dos países mantiveram a paridade de gênero no ensino secundário.

Manter meninas na escola secundária ainda é tarefa árdua. Foto: Jane Some/IRINRepresentantes do setor de educação tem ajudado a levar mais meninas para a escola primária em todo o mundo, mas muitas ainda estão pensando em sair antes do nível secundário, disseram especialistas do setor em reunião na capital senegalesa, Dacar, no dia 19 de maio.

A UN Girls Education Initiative (UNGEI) – em português “Iniciativa das Nações Unidas pela Educação de Meninas” – existe há 10 anos, a partir do Fórum Mundial de Educação, e ajudou a lançar planos de ação do governo do Senegal para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) de educação até 2015. Os objetivos incluem eliminar a disparidade entre sexos em todos os níveis escolares e assegurar que todas as crianças completem a educação primária básica.

Na última década, mais meninas passaram a frequentar a escola na Europa Central e Oriental, Ásia Oriental e América Latina, com dois terços dos países alcançando a paridade de gênero no ensino primário desde 2006. Há duas vezes mais escolas primárias funcionando no mundo todo desde 2000, segundo o recentemente nomeado Diretor Executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Lake.

No entanto, apenas cerca de um terço dos países mantiveram a paridade de gênero no ensino secundário. E cerca de 72 milhões de crianças ainda não estão na escola – dois terços delas na África subsaariana ou sul e leste da Ásia. “Todo trabalho de desenvolvimento depende da educação de meninas e meninos”, Lake disse a repórteres em uma conferência de imprensa há algumas semanas. “Há muito trabalho pela frente”.

Retenção através da qualidade

Para o co-presidente da UNGEI e chefe da Agência de Educação para o Desenvolvimento (AED, uma entidade sem fins lucrativos), May Rihani, a retenção é uma questão central para a educação de meninas. Taxas de abandono da escola primária para a secundária caíram de 14% para 2% em Ruanda, quando o governo introduziu um programa de ensino de nove anos, contou o ministro da Educação Mathias Harebamungu a repórteres.

Ilhas Maurício fez o mesmo, e Senegal tem considerado a possibilidade, de acordo com Ann Therese Ndong-Jatta, diretora de África Ocidental na Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O Senegal quase alcançou a paridade de gênero no ensino primário, mas as meninas representam apenas 15% dos alunos do ensino secundário, de acordo com o ministro da Educação Kalidou Diallo.

Especialistas disseram que a qualidade é crucial para elevar os níveis de retenção. Nem as meninas nem meninos vão permanecer na escola se não estiverem recebendo uma educação de qualidade, declarou o co-presidente da UNGEI David Wiking, que também é diretor de educação da Agência de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento da Suécia (SIDA). Ele disse que a violência nas escolas e o ensino de má qualidade prejudicam a paridade de gênero. “Milhões de crianças vão à escola e não aprendem. Precisamos olhar para além da educação e entender por que eles não aprendem… As escolas não devem ser cenas de crime”.

Ndong-Jatta concordou. “Nós não podemos convencer ninguém quanto ao acesso, mas 75% das crianças na África ainda não passam nos exames”, disse ela. “Os currículos estão desatualizados… quando olhamos para a qualidade, nós temos que garantir que a educação seja relevante, e podemos garantir empregos; precisamos preparar as crianças para o mundo do trabalho”. Reunidos em Dacar de 18 a 20 maio, os delegados de 22 países discutiram a pobreza, a violência nas escolas e a qualidade da educação, trabalhando para incorporar soluções em planos de ação país.