Custo da corrupção no Afeganistão em 2012 chegou a quase 4 bilhões de dólares, calcula ONU

Pesquisa do Escritório sobre Drogas e Crimes revela que 68% dos afegãos consideram aceitável que funcionários públicos completem salários baixos aceitando subornos.

O custo total da corrupção no Afeganistão aumentou significativamente nos últimos três anos e já chega a 3,9 bilhões de dólares. A pesquisa, divulgada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) nesta quinta-feira (07), mostra que apesar de menos pessoas pagarem subornos, a prática ainda é frequente.

O estudo Corrupção no Afeganistão – padrões e tendências recentes afirma que metade dos cidadãos afegãos pagou suborno ao solicitar um serviço público e quase 30%, para um serviço do setor privado durante 2012.

Embora os índices sejam altos, há evidências de progresso já que, em 2009, 59% da população adulta teve de pagar pelo menos uma propina a um funcionário público. No entanto, a frequência aumentou de 4,7 para 5,6 subornos por pagador e o custo médio de um suborno aumentou de 158 para 214 dólares – 29% em termos reais.

“Os subornos pagos pelos cidadãos afegãos em 2012 é igual a duas vezes a receita interna do Afeganistão ou 1/4 do compromisso de Tóquio”, disse o Representante Regional da UNODC, Jean Luc Lemahieu. A declaração refere-se à conferência internacional de doadores realizada em julho no Japão, na qual 16 bilhões de dólares foram prometidos para o desenvolvimento econômico do Afeganistão nos próximos quatro anos, com a condição de que o Governo reduza a corrupção antes de receber o dinheiro.

Apesar da corrupção ser vista pela maioria dos afegãos como um dos desafios mais urgentes do país, ela parece estar cada vez mais incorporada às práticas sociais. A pesquisa revelou que 68% dos entrevistados consideram aceitável que um funcionário público complete um salário baixo aceitando pequenos subornos dos utilizadores do serviço. Da mesma forma, 67% dos cidadãos considerou que, às vezes, é aceitável que um funcionário público seja contratado com base em laços familiares e redes de amizade.

“A solução não deve ser encontrada apenas dentro do Governo, mas também dentro da comunidade”, observou Lamahieu.