Curta-metragem mostra história de mulheres quilombolas apoiadas pelo FIDA na Paraíba

A história de vida de um grupo de mulheres quilombolas da região de Santa Luzia, interior da Paraíba, que recebe apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), por meio do projeto Procase, é o tema de um vídeo documentário gravado pelo Semear Internacional.

O curta-metragem contará a trajetória das mulheres que foram deixando o Quilombo do Talhado em direção à cidade sem abandonar a arte da fabricação de louças de barro, desenvolvendo ainda mais a atividade.

A previsão é de que o vídeo seja lançado em outubro deste ano no Brasil e logo depois em países de Europa, América Latina e África, com versões legendadas em inglês e espanhol para serem exibidas nas regiões que recebem apoio do FIDA.

Vista de Santa Luzia, interior da Paraíba. Foto: Wikimedia Commons/Otoniel Jr (CC)

Vista de Santa Luzia, interior da Paraíba. Foto: Wikimedia Commons/Otoniel Jr (CC)

A história de vida de um grupo de mulheres quilombolas da região de Santa Luzia, interior da Paraíba, que recebe apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), por meio do projeto Procase, é o tema de um vídeo documentário gravado pelo Semear Internacional.

O curta-metragem contará a trajetória das mulheres que foram deixando o Quilombo do Talhado em direção à cidade sem abandonar a arte da fabricação de louças de barro, desenvolvendo ainda mais a atividade.

A equipe do Semear Internacional permaneceu na cidade por seis dias, em visitas ao galpão onde as louceiras trabalham com o barro, colhendo depoimentos de algumas delas além de familiares de Rita Preta, personagem central do curta-metragem e uma das primeiras mulheres a deixar o quilombo, há aproximadamente 40 anos.

“O vídeo traz um roteiro que mostrará como a atitude da Rita Preta lá atrás impactou na vida de tantas mulheres das gerações seguintes. Será um vídeo que abordará a história, as lutas dessas mulheres, o desenvolvimento da atividade com o barro, o reconhecimento e autoafirmação delas como comunidade genuinamente quilombola. Tudo sob a ótica dessas paraibanas guerreiras que hoje orgulham aquele município”, disse o gerente de comunicação do Semear Internacional e diretor do documentário, Diovanne Filho.

A escolha por um vídeo nesta formatação foi impulsionada, também, por esta região já ter sido tema de outras produções, uma delas, ainda na década de 1960. “O filme Aruanda, de Linduarte Noronha, nos inspirou muito. Queremos mostrar nesta produção, como o trabalho dessas mulheres mudou de lá pra cá. Queremos que as futuras gerações possam ver que aquelas histórias que ele contou lá atrás ainda estão presentes em cada peça desenvolvida, em cada depoimento colhido. Tudo isso graças à resistência dessas paraibanas e apoios importantíssimos como foi o realizado pelo FIDA”, disse Diovanne.

A previsão é de que o vídeo seja lançado em outubro deste ano no Brasil e logo depois em países de Europa, América Latina e África, com versões legendadas em inglês e espanhol para serem exibidas nas regiões que recebem apoio do FIDA.

O Semear Internacional é um programa do FIDA que trabalha no apoio aos projetos do fundo no Brasil, divulgando as ações implementadas e realizando eventos que gerem troca de conhecimento entre os projetos.

FIDA capacitará 70 agricultores do Nordeste para uso de Cadernetas Agroecológicas

Uma capacitação para que mulheres rurais usem as cadernetas agroecológicas acontecerá em Recife (PE), dentro do “Seminário Regional para formação no uso das cadernetas agroecológicas nos projetos apoiados pelo FIDA no Brasil”, que ocorrerá entre os dias 3 e 5 de julho, no Campus da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

O evento reunirá cerca de 70 pessoas que serão preparadas para conduzir o uso das cadernetas em todos os projetos que o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) apoia no Brasil.

Além da formação, logo na abertura do evento será lançada oficialmente a mais nova publicação do programa Semear Internacional. A cartilha “Mulheres que florescem o semiárido nordestino”, que já está disponível para download no site do Semear Internacional neste link, e terá versões impressas distribuídas no evento.

A publicação traz experiências de mulheres (individuais e coletivas) que têm lutado para ter seus trabalhos reconhecidos e valorizados, mostrando que podem fazer qualquer atividade, gerando renda, e mudando suas realidades e de suas respectivas comunidades.

“Estamos juntas e juntos construindo caminhos e instrumentos que nos possibilitem visibilizar, conhecer e sistematizar a contribuição econômica, ecológica, social e cultural das mulheres rurais para a economia familiar, para a segurança e soberania alimentar, a agroecologia e para a vida”, disse a gerente de Gestão do Conhecimento, Aline Martins.

Após a abertura do seminário, a programação seguirá com foco na formação sobre o uso das cadernetas, com pontos que vão desde a apresentação do Projeto das Cadernetas Nacional e a Experiência do Grupo de Trabalho de Mulheres da ANA (Articulação Nacional de Agroecologia), à sistematização e monitoramento das cartilhas. Ao final dos três dias, serão entregues as cadernetas a serem utilizadas pelas participantes.

O projeto de implantação das cadernetas agroecológicas será coordenado pelo Semear Internacional, FIDA e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em parceria com o Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e todos os seis projetos apoiados pelo FIDA no Brasil.

As cadernetas

A caderneta agroecológica é um instrumento que tem como principal objetivo contribuir para o monitoramento da renda monetária e não monetária das mulheres rurais, a partir do trabalho protagonizado por elas na propriedade.

A Caderneta Agroecológica (CA) foi elaborada pelo Centro de Tecnologias Alternativas na região de Zona da Mata em Minas Gerais (CTA/ZM), em diálogo com o Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia – ANA, com vistas a ser de fácil apropriação pelas agricultoras.

O instrumento foi experimentado pela primeira vez no contexto do Programa de Formação em Feminismo e Agroecologia em 2013 pela organização não governamental CTA. Posteriormente, foi utilizado entre 2013 e 2015 pelo GT Mulheres da ANA a partir de um projeto nacional financiado pela União Europeia em todas as regiões do Brasil que teve como eixo central a realização de um Programa de Formação “Feminismo e Agroecologia”.

Por meio da caderneta, as mulheres podem contabilizar o quanto investem e o quanto lucram com a produção agrícola no roçado e em casa. Com os resultados, é possível observar o aumento na renda das mulheres, criando autonomia e independência, e fortalecendo o processo de respeito e inclusão das produtoras rurais.