Curso de gestão de negócios forma refugiados e solicitantes de refúgio em SP

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O Projeto Caleidoscópio promoveu na quinta-feira (6), na sede da consultoria EMDOC, em São Paulo (SP), evento de formatura do curso de gestão de negócios da primeira turma de profissionais em situação de refúgio. A iniciativa é resultado das articulações promovidas pelo Instituto Yiesia e com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR).

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O Projeto Caleidoscópio promoveu na quinta-feira (6), na sede da consultoria EMDOC, em São Paulo (SP), evento de formatura do curso de gestão de negócios da primeira turma de profissionais em situação de refúgio. A iniciativa é resultado das articulações promovidas pelo Instituto Yiesia e com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR).

A colombiana Mirta, de 48 anos, foi forçada a deixar seu país devido à perseguição política, em decorrência de sua atuação como advogada de direitos humanos. Formada em Direito e Ciências Políticas pela Universidade de Cartagena, ela chegou ao Brasil há 15 anos e em breve dará continuidade aos estudos, tendo sido aprovada no Doutorado em Relações Internacionais da San Tiago Dantas, na capital paulista.

Na opinião dela, a iniciativa foi importante para sua contínua formação pessoal e profissional. Ela destacou o empenho dos facilitadores do projeto. “A doação de cada um deles e a preocupação em transmitir experiência me comoveu. Foi uma troca, um enriquecimento mútuo”.

Além de Mirta, outros 14 profissionais refugiados de sete nacionalidades diferentes, todos com pós-graduação concluída, participaram do curso que tem como foco a integração social e laboral dessa população.

A idealizadora e coordenadora acadêmica da iniciativa, Ana Paula Candeloro, lembrou a necessidade de incorporar a multiculturalidade e a diversidade no cotidiano empresarial, agregando valores, conhecimentos e inovação.

“Demos um passo para dizer ao mundo que não podemos nos fechar em cada uma de nossas bolhas individuais, e que devemos trabalhar para abrir nossas mentes e braços para novas culturas, ideias e pessoas”, disse.

A entrega dos diplomas representa o reconhecimento dos conhecimentos adquiridos, mas também reflete a capacidade e o interesse das pessoas em situação de refúgio em dar continuidade às suas formações para que possam alcançar oportunidades de se tornarem gestores nas empresas.

“A certificação é o primeiro passo de uma longa caminhada. A interculturalidade e a experiência que o projeto viveu precisa ser ampliada dentro do país. O ganho com a presença de pessoas refugiadas no mercado pode ser enorme”, afirmou o presidente da empresa EMDOC e idealizador do PARR, João Marques.

O refugiado palestino Khaled, de 38 anos, também esteve presente na cerimônia de entrega dos diplomas. Graduado em Engenharia Biomédica com Especialização em Equipamentos Médicos pela Universidade de Damasco, Khaled trabalhou com manutenção de equipamentos médicos na Síria e atualmente é supervisor de assistência técnica de equipamentos médicos em uma empresa brasileira.

Para ele, o curso foi marcante pelos novos conhecimentos adquiridos. “Aprendemos sobre riscos, como fazer consultas para empresas e como resolver problemas. O conteúdo foi muito válido e todo o esforço foi recompensado”, disse.

Em 2018, o projeto será implementado para uma nova turma e seguirá a mesma estrutura, com aulas presenciais ministradas por diferentes gestores, assessoramento de “coaches” de carreira e experiência de imersão para análise de casos reais de empresas.

Entre os mais de 10 mil refugiados de mais de 80 nacionalidades que vivem no Brasil, muitos são profissionais já formados, com ampla experiência profissional nos mais variados setores e ramos no mundo empresarial.

O ACNUR e seus parceiros, como o PARR e o Instituto Yiesia, seguem buscando parcerias para o fortalecimento de ações que visem a integração das pessoas em situação de refúgio de forma digna, plena e responsável.

Ao valorizar as experiências e os conhecimentos das pessoas refugiadas, iniciativas como esta parceria evidenciam a relevante contribuição que os refugiados trazem para a sociedade, agregando inovação e novas oportunidades às empresas, segundo a agência da ONU.


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