Cúpula dos Povos dá a largada no Aterro do Flamengo e critica processo de negociações da Rio+20

Evento organizado pelo Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20 terá mais de mil atividades pela cidade. Movimentos sociais estão temerosos com a falta de consenso nos debates oficiais.

Ativista na Cúpula dos Povos alerta para os riscos que rondam o planeta durante as negociações prévias sobre o documento final da Rio+20 (UNIC Rio / Felipe Siston)

Começou nesta sexta-feira (15/06) a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, organizada pelo Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20 (CFSC). Ao todo, são cerca de 800 atividades inscritas pelo público participante, mais de 300 atividades culturais, entre mostras, teatro, música, além de 150 exemplos de experiências inovadoras para o planeta ao longo do Aterro do Flamengo e outros pontos do Rio de Janeiro.

O encontro promete aproximar movimentos sociais de todo o mundo para produzir posições políticas comuns, soluções para problemas ambientais e sociais, assim como uma agenda global de mobilizações. “No dia 17, depois de passarmos pelas atividades autogestionadas, vamos fazer cinco plenárias de convergência, quando pretendemos sistematizar todos estes debates e tentar construir alguma posição comum”, explica Fátima Mello, representante da Rede Brasileira pela Integração dos Povos e membro do CFSC.

As plenárias vão se dividir em cinco temas: direitos por justiça social e ambiental, bens comuns contra a mercantilização, soberania alimentar, energia extrativa, nova economia e paradigmas de sociedades.

Crise de afirmação dos direitos humanos

Entrada da Cúpula dos Povos no Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro. (UNIC Rio / Felipe Siston)
Para os representantes da sociedade civil presentes no evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), as diferenças entre os países que negociam o documento final da Rio+20 estão ficando cada vez mais gritantes.

“Ontem nós participamos de um racha bastante explícito entre o G-77 [bloco de nações em desenvolvimento] e países como Estados Unidos e Japão, que não querem se comprometer com os meios de implementação. Nós estamos chegando ao último dia de discussão preparatória para a cúpula oficial com mais de 70% do rascunho tensionado e sem solução”, afirmou Iara Pietrovisk, representante da Rede Brasil no CFSC.

“O temor é que a solução que for dada vai ter um baixo nível de expectativa e ambição numa cúpula que deveria estar sendo exatamente o oposto, sendo ambiciosa, afirmando todos os direitos já definidos desde 92 e já propondo a implementação”, acrescentou Pietrovisk.