Cúpula da ONU discute serviços e infraestruturas para a igualdade de gênero

Uma mãe paquistanesa cadeirante que deseja visitar um parque sem ter que se preocupar com rampas de acesso e uma jovem mulher do Sudão do Sul que sonha em ter assistência de saúde acessível estiveram entre as palestrantes na segunda-feira (11) em Nova Iorque do maior encontro anual das Nações Unidas sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres.

Em discursos à 63ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Situação das Mulheres (CSW), Muniba Mazari e Mary Fatiya pediram que proteções sociais básicas sejam garantidas para mulheres e meninas no mundo todo, com base em necessidade e em linha com seus direitos humanos inalienáveis.

Representantes da sociedade civil Mary Fatiya (Sudão do Sul) e Muniba Mazari (Paquistão) falam durante a 63ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Situação das Mulheres (CSW) na sede da ONU em Nova Iorque. Foto: ONU Mulheres/Ryan Brown

Representantes da sociedade civil Mary Fatiya (Sudão do Sul) e Muniba Mazari (Paquistão) falam durante a 63ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Situação das Mulheres (CSW) na sede da ONU em Nova Iorque. Foto: ONU Mulheres/Ryan Brown

Uma mãe paquistanesa cadeirante que deseja visitar um parque sem ter que se preocupar com rampas de acesso e uma jovem mulher do Sudão do Sul que sonha em ter assistência de saúde acessível estiveram entre as palestrantes na segunda-feira (11) em Nova Iorque da abertura do maior encontro anual das Nações Unidas sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres.

Em discursos à 63ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Situação das Mulheres (CSW), Muniba Mazari e Mary Fatiya pediram que proteções sociais básicas sejam garantidas para mulheres e meninas no mundo todo, com base em necessidade e em linha com seus direitos humanos inalienáveis.

“Ser uma mulher tem seus desafios. Estar em uma cadeira de rodas é a cereja no topo”, disse Mazari, que também é embaixadora da Boa Vontade para a ONU Paquistão, a milhares de ativistas, diplomatas e acadêmicos reunidos no hall da Assembleia Geral da ONU.

Fatiya, que descreveu a longa distância para uma escola onde havia apenas dois banheiros para cerca de 600 crianças, disse que seu mundo ideal é centrado em uma existência pacífica, acesso à saúde e boas infraestruturas. “Não estou pedindo uma estrada luxuosa. Eu só preciso de uma e é meu direito tê-la”.

O encontro anual da Comissão, que teve início em 1947, irá reunir mais de 9 mil representantes de organizações da sociedade civil nas Nações Unidas nas próximas duas semanas. O tema deste ano é “sistemas de proteção social, acesso a serviços públicos e infraestruturas sustentáveis para igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas”. Muitas das discussões também devem focar na Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável.

Igualdade de gênero é uma ‘questão de poder’

Em seu discurso de abertura, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que a Comissão sobre a Situação das Mulheres poderia ser igualmente chamada de “Comissão sobre a Situação do Poder”.

“Porque este é o cerne da questão. Igualdade de gênero é fundamentalmente uma questão de poder”, disse, acrescentando que o mundo tem registrado retrocessos no que se refere à garantia dos direitos das mulheres.

Guterres – que se definiu como um “feminista orgulhoso” – disse que, para mudar relações de poder, superar lacunas e vieses e lutar para preservar conquistas, é necessário envolver mulheres como participantes iguais na sociedade.

“Quando excluímos mulheres, todos pagam o preço. Quando incluímos mulheres, o mundo todo ganha”, disse.

Similarmente, a presidente da Comissão deste ano, a embaixadora Geraldine Byrne Nason, da Irlanda, disse em discurso que “resiliência está no DNA de mulheres e o mundo precisa da resiliência de mulheres mais do que nunca”.

Os tópicos que serão abordados nas próximas duas semanas variam de planejamento de espaço urbano a transportes públicos, com considerações sobre mobilidade e segurança de mulheres e aumento do acesso das mulheres rurais a parteiras experientes.

Investimentos para gerar oportunidades

A presidente do Conselho Econômico e Social (ECOSOC), Inga Rhonda King, também destacou a importância de serviços públicos e de proteção social para reconhecer e valorizar trabalhos domésticos – frequentemente executados por mulheres e meninas.

Investir nessa área é “essencial para liberar o tempo de mulheres e meninas, apoiar a mobilidade e o acesso de mulheres a oportunidades econômicas”, disse King.

Destacando o progresso alcançado nas décadas recentes, a chefe da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, disse que graças a investimentos em infraestruturas e acesso a serviços públicos mais meninas estão na escola.

Ela ressaltou a necessidade de fechar lacunas, mas lembrou que 71% da população do mundo ainda não têm acesso completo a proteções sociais universais.

Phumzile pediu mais liderança, afirmando que mulheres e meninas possuem um papel essencial a ser desempenhado na formulação de políticas, serviços e infraestruturas que impactam suas vidas.

Entre outros palestrantes na abertura do encontro estava Marlène Schiappa, ministra de Estado da França para Igualdade de Gênero. A França está na Presidência do Conselho de Segurança neste mês.

Schiappa afirmou que envolvimento de mais mulheres em processos políticos e de paz é essencial para o empoderamento feminino, sendo um problema que afeta a comunidade diplomática. Ela instou o Conselho de Segurança a redobrar seus esforços para incluir mais mulheres em discussões.


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