Cultivo de coca diminui na Colômbia e aumenta no Peru, relata agência das Nações Unidas

Relatório do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC) aponta que a produção de cocaína diminuiu significativamente na Colômbia, embora situação no Peru continue a ser preocupante. “Há limites para aquilo que os governos andinos podem fazer se as pessoas continuarem usando cocaína”.

Plantação de coca. Foto: ONUO cultivo da matéria-prima para a produção de cocaína diminuiu significativamente na Colômbia, maior produtor mundial de coca, mas a situação no Peru continua a ser preocupante, com a quantidade do entorpecente aumentando bastante, relatou na semana passada o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC).

Enquanto a quantidade da drogas aumentou em 4 países andinos (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru), a Colômbia registrou uma redução de 16% (68 mil hectares) em sua produção, uma queda de 60% em relação a seu auge na década de 90. “A política antidrogas adotada pelo governo colombiano nos últimos anos, combinando desenvolvimento e segurança pública, está dando resultados”, disse o diretor executivo do UNODC, Antonio Maria Costa.

Segundo o UNODC, o cultivo da coca no país se tornou mais arriscado e menos lucrativo para o crime organizado, revelando que as fazendas dificilmente ganham mais de 1 dólar por dia. Estima-se que o valor total de saída da produção de coca diminuiu 21%. Com isso, as plantações estão se tornando menores, mais dispersas e menos produtivas, aumentando a demanda das comunidades locais por fontes alternativas legais de sustento.

A ação do país contra o cultivo da coca e a produção da cocaína foi acompanhada por políticas eficazes de combate ao tráfico de drogas. As apreensões do entorpecente chegaram a 200 toneladas em 2009, uma parcela significativa do total produzido.

Cultivo de da folha de coca no Peru aumenta significativamente

No Peru, o plantio da coca continuou a crescer pelo quarto ano consecutivo. De acordo com o UNODC, a produção hoje é 55% maior do que era há uma década, embora o montante deste ano represente metade do que era fabricado há 2 décadas. “Se o que acontece agora persistir, o Peru vai ultrapassar a Colômbia como o maior produtor mundial de coca, o que não acontece desde meados da década de 90”, alertou Costa. Ele acrescentou que o governo peruano deve tomar atitudes para melhorar o fornecimento de saúde e segurança pública, expandindo iniciativas sustentáveis de subsistência, programas de prevenção às drogas, reforço das leis e cooperação regional.

“Há limites para aquilo que os governos andinos podem fazer se as pessoas continuarem usando cocaína. Assim, cabe aos governos dos países consumidores da droga – na maior parte na Europa e América do Norte – assumirem sua responsabilidade e reduzirem a demanda por cocaína”. A agência disse que, devido à revisão dos fatores de conversão das folhas de coca em cocaína, não fará uma estimativa sobre o nível de sua produção na Bolívia e no Peru, em 2010.

O UNODC lançou no dia 23 deste mês seu Relatório Mundial sobre Drogas, que apresenta um retrato global do mercado da cocaína, incluindo a demanda, o tráfico e o suprimento.