Cultivo da coca para uso ilegal diminui no Peru, aponta pesquisa da ONU

De acordo com UNODC, a Estratégia Nacional Antidrogas e programas que proporcionam meios de subsistência alternativos para os agricultores contribuíram ativamente para a queda na produção.

Planta da coca. Foto: UNODC

Planta da coca. Foto: UNODC

De acordo com a pesquisa nacional do monitoramento da produção de coca de 2012 – realizada desde 1999 –, o cultivo da coca diminuiu cerca de 3,4% no Peru. O estudo foi apresentado nesta terça-feira (24) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e pelo governo peruano.

O representante do UNODC no Peru, Flavio Mirella, atribuiu a tendência positiva à Estratégia Nacional Antidrogas, lançada em 2012 juntamente com os programas que proporcionam meios de subsistência alternativos aos agricultores. Segundo a ONU, esse programa tem sido especialmente eficaz na região do Alto Huallaga, que está entre os maiores produtores da plantação de coca do país.

O governo erradicou mais de 14.230 hectares da plantação de coca no Alto Huallaga e em Aguaytia. Essas áreas, juntamente com o Vale do Rio Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM), estão fortemente associadas com o tráfico de drogas e o terrorismo. No entanto, a prisão de “Artemio”, líder do grupo Sendero Luminoso, tem facilitado o envolvimento das comunidades agrícolas em programas de desenvolvimento alternativo.

As imagens de satélite e pesquisas de campo mostraram que cerca de 13 regiões estavam envolvidas na crescente colheita de coca em todo o país, com Cusco, Ayacucho e Huánuco registrando as maiores áreas de cultivo, seguido pela área de Palcazu-Pichis-Pachitea, que sofreu um aumento de 25%.

A produção total da folha de coca atingiu cerca de 129 mil toneladas métricas, uma queda de quase 2% em comparação com as 131 mil toneladas de folha de coca produzidas em 2011. Estima-se que 9 mil toneladas foram destinadas para o uso tradicional de folhas de coca, com cerca de 120 mil toneladas para os mercados ilegais.

A produção foi concentrada principalmente na região do Baixo Amazonas, na fronteira entre a Colômbia e o Brasil, que testemunhou um aumento de 73% comparado a 2011. A localização desta área facilita o transporte dos precursores químicos necessários para produzir drogas, beneficiando o tráfico transnacional.

Como nos anos anteriores, a VRAEM lidera a produção da folha de coca, com mais de 56% da produção total. O rendimento médio nacional de folhas de coca secas foi de 2,1 toneladas por hectare.

Os preços agrícolas para o produtor de folha de coca em 2012 manteve valores médios de 3,3 dólares por quilo. O preço médio da cocaína caiu quase 10%, para 737 dólares por quilo, e o custo do cloridrato de cocaína caiu em média 3%, para 990 dólares por quilo.

As apreensões do material básico para a fabricação da cocaína aumentaram cerca de 40%, para 20 mil quilos. As interceptações do cloridrato de cocaína também aumentaram cerca de 20%, para 12,700 kg.