‘Cuidando do meio ambiente cuidamos de nós mesmos’, diz voluntário venezuelano em Roraima

Desde fevereiro, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em colaboração com a Operação Acolhida e seus parceiros da sociedade civil, promove um projeto-piloto de introdução de áreas verdes em um abrigo para refugiados e migrantes em Boa Vista (RR).

A iniciativa promove ações educativas e de conscientização ambiental por meio do cultivo de hortas, jardins medicinais e árvores no abrigo, que é moradia para 615 venezuelanos.

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Plantar, cultivar e conscientizar são algumas das atividades que permitem à venezuelana Zuleidi Lezama, de 33 anos, contribuir com o meio ambiente por meio do trabalho comunitário no abrigo temporário Rondon 2 em Boa Vista, Roraima.

“Aprendi com minha mãe a amar e cuidar das plantas. Apesar de não estar na minha casa, a Venezuela, preservo a cultura e conexão com o meio ambiente no meu dia a dia no Brasil”, conta Zuleidi, que vive no Brasil com seu marido Jordan há oito meses.

Desde o início de fevereiro deste ano, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em colaboração com a Operação Acolhida e seus parceiros da sociedade civil, como a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI), o Projeto Crescer e a Land Life Company, promove um projeto-piloto de introdução de áreas verdes no abrigo Rondon 2.

A iniciativa, que demonstra bons resultados, promove ações educativas e de conscientização ambiental por meio do cultivo de hortas, jardins medicinais e árvores no abrigo, que é moradia para 615 refugiados e migrantes venezuelanos.

O projeto tem alcançado seus objetivos, entre eles o de promover o cultivo de plantas em cada uma das unidades habitacionais do abrigo e engajar a comunidade de venezuelanos. Aos poucos, a iniciativa traz mais verde para o local que é, mesmo que temporariamente, o lar de muitas pessoas.

Com o desenvolvimento do projeto, as ações geraram uma série de benefícios diretos e indiretos no cotidiano do abrigo e para a vida dos membros do Comitê de Jardinagem, composto por quatro pessoas.

“Aqui estamos começando uma nova etapa de nossa vida. O que temos aqui agora é um aprendizado e estamos fazendo nossa parte com responsabilidade. Além disso, é uma relação que construímos com as plantas ao vê-las crescendo a cada dia conforme cuidamos delas”, diz Zuleidi. “O trabalho do Comitê de Jardinagem me faz bem como atividade e como ser humano, é um momento que estou sozinha e me coloco a pensar e relaxar. Me sinto bem”, completa.

De acordo com Fabiano Sartori, Consultor Ambiental do ACNUR, a iniciativa contribui diretamente para a estratégia de coexistência pacífica entre a população venezuelana e a comunidade local da organização por meio das parcerias locais como o Projeto Crescer. Além de gerar oportunidades para os beneficiários com as capacitações em técnicas agrícolas e educação ambiental.

“O abrigo, como um todo, também se beneficia por meio da melhoria da infraestrutura verde e do sistema de drenagem, pois há maior infiltração no solo. No futuro, criaremos áreas sombreadas e de convívio” explica Fabiano. “Na ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, estas ações lideradas pelos venezuelanos merecem destaque por seu engajamento e paixão pela natureza.”

O ACNUR investe na incorporação do meio ambiente como tema transversal em sua operação, de forma criativa, com foco também na comunidade acolhida. “Cuidar do meio ambiente é também uma estratégia que proporciona cuidar do local que acolhe refugiados e migrantes”, explica Fabiano.

O projeto é uma das iniciativas do ACNUR como resultado da parceria que assumiu com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para intensificar sua abordagem ambiental com foco na incorporação do meio ambiente como tema transversal na resposta humanitária. Por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, ambas organizações celebram os resultados da cooperação e dos esforços para tonar as ações humanitárias mais sustentáveis.

As atividades promovidas pelo Comitê de Jardinagem terão continuidade pelos próximos meses, juntamente com outros eventos promovidos e organizados por outros comitês, como o de alimentação, saúde e educação – que, mesmo com os impactos relacionados à pandemia, têm se adaptado para continuar o trabalho comunitário nos abrigos.

E apesar do futuro no Brasil ainda ser incerto, os membros do comitê seguem engajados com uma causa maior do que as dificuldades enfrentadas por eles em decorrência do deslocamento forçado. Irving Figueira, venezuelano de 33 anos e membro do Comitê, se preocupa com o engajamento das gerações futuras com os temas ambientais.

“Temos que cuidar do meio ambiente pois recebemos muito da natureza. Cuidando do meio ambiente cuidamos de nós mesmos”, explica Irving, que está em Boa Vista há cinco meses com seus dois filhos. “Para mim a natureza é algo maravilhoso. Me sinto bem de ver as plantas crescerem e me encanto em conhecer a natureza do Brasil”.