Crises mostram urgência de promover transformações nas sociedades, dizem jovens inovadoras

Se uma doença pode nos ajudar a entender quão frágil, interconectada e preciosa é a vida, a pandemia do novo coronavírus está nos ensinando infinitas lições nos níveis pessoal, regional e mundial.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) conversou com três Jovens Campeãs da Terra de 2019 sobre como as crises mostram a urgência de promover transformações para a nossa sociedade.

Jovens Campeões da Terra é a principal iniciativa do PNUMA para impulsionar a juventude a enfrentar os maiores desafios ambientais do mundo.

Jovens Campeãs da Ásia e do Pacífico, Sonika Manandhar, engenheira de software e diretora de tecnologia da Aeoli (Green Energy Mobility- GEM) e Louise Mabulo, chef premiada, agricultora e fundadora do Projeto Cacau; e a Jovem Campeã da Europa, Marianna Muntianu, ativista ambiental e fundadora do projeto Plante a Floresta (Plant the Forest, em inglês).​​​​​ Foto: PNUMA

Jovens Campeãs da Ásia e do Pacífico, Sonika Manandhar, engenheira de software e diretora de tecnologia da Aeoli (Green Energy Mobility- GEM) e Louise Mabulo, chef premiada, agricultora e fundadora do Projeto Cacau; e a Jovem Campeã da Europa, Marianna Muntianu, ativista ambiental e fundadora do projeto Plante a Floresta (Plant the Forest, em inglês).​​​​​ Foto: PNUMA

Se uma doença pode nos ajudar a entender quão frágil, interconectada e preciosa é a vida, a pandemia do novo coronavírus está nos ensinando infinitas lições nos níveis pessoal, regional e mundial.

Crises como a da COVID-19 mostram a urgência de promover transformações para a nossa sociedade sobreviver no século 21.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) conversou com três Jovens Campeãs da Terra de 2019 para trazer algumas de suas reflexões pessoais, à medida que elas também passam por todos os altos e baixos que 2020 trouxe.

Jovens Campeões da Terra é a principal iniciativa do PNUMA para impulsionar a juventude a enfrentar os maiores desafios ambientais do mundo.

Em meio à forte sensação de perda, ansiedade e insegurança que a COVID-19 trouxe, você acha que há algum ponto positivo que podemos tirar disso tudo? O que você experimentou e consideraria um aspecto positivo dessa mudança no nosso dia a dia?

Louise Mabulo: Com relação à comunidade, sinto que estar em quarentena nos permitiu fazer uma análise interior e reconhecer os ingredientes e materiais produzidos localmente por vizinhos e amigos. A vida tomou outro rumo, no qual agora, mesmo à distância, valorizamos muito mais as pessoas e apreciamos as pequenas coisas, que antes subestimávamos. Isso nos forçou a desacelerar e a reavaliar nossas prioridades e valores.

Marianna Muntianu: O coronavírus está nos mostrando que realmente podemos unir forças para resolver problemas globais – e rapidamente, mesmo com os diversos obstáculos e dificuldades econômicas. O isolamento que vemos na Terra está nos forçando a diminuir o ritmo, a fazer um balanço e começar a pensar em nosso futuro – em que tipo de mundo queremos estar daqui uma década ou menos.

De uma melhoria drástica nos níveis de poluição do ar em algumas partes do planeta até a limpeza das águas dos canais, algumas áreas urbanas estão, pela primeira vez em décadas, com menos poluição. Dos animais selvagens aparecendo nas grandes cidades e em seus arredores até o som dos pássaros cantando em áreas onde antes não cantavam mais, uma coisa é clara: a natureza está aproveitando essa pausa, essa quebra da rotina e dos danos ambientais.

O vírus nos ensinou uma boa lição: se reduzirmos o impacto ao meio ambiente, ela retribuirá o favor com ar limpo, água fresca e serviços ecossistêmicos abundantes.

Sonika Manandhar: Uma coisa que realmente me empolgou com essa situação em que estamos entrando, especialmente como engenheira de software, é que esse surto forçará os consumidores e as empresas a se tornarem digitais. Mal posso esperar para ver a transformação e inovação que isso vai trazer em todas as frentes, levando-nos a superar modelos ultrapassados ​​de trabalho.

Nas últimas semanas, parece que estamos sendo constantemente bombardeados com notícias, informações (verdadeiras e falsas), e-mails e textos sobre a crise – e é difícil nos concentrarmos em outras coisas. Mas o trabalho para salvar nosso planeta deve continuar. Qual foi sua dificuldade pessoal e qual dica você daria para tentar manter o foco e a produtividade durante esse período?

Louise Mabulo: Tem sido um momento muito difícil para se concentrar. Há muitas informações, notícias e preocupações em nossas cabeças. Eu estudo à distância e em casa já faz anos, mas ainda é complicado de conseguir permanecer focada.

É importante cuidarmos de nós mesmos, fazer pausas e criar um sistema de responsabilidades. Embora de repente pareça que temos tempo de sobra, precisamos racioná-lo com sabedoria para atingir as metas enquanto mantemos nossa vida profissional e pessoal em equilíbrio. Agora é uma ótima oportunidade para trabalhar em nosso desenvolvimento e crescimento pessoal, mesmo em isolamento.

Dica:

Para aqueles que estão lutando contra o constrangimento do teletrabalho, eu achei muito útil um artigo do Instituto de Design da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, “Making Virtual More Human“. A ideia é reunir as pessoas virtualmente e quebrar algumas das barreiras que tornam a comunicação online desconfortável, além de criar um ambiente em que as pessoas possam se aprofundar na colaboração a distância.

Marianna Muntianu: Eu já trabalho remotamente há cinco anos, então, o auto-isolamento não é algo novo para mim. A coisa mais difícil com a qual estou lidando é o pânico que emana das pessoas ao meu redor, particularmente dos meus pais.

Como com todo mundo, tem sido um desafio me disciplinar de acordo com as recomendações para evitar a disseminação: não colocar a mão no rosto, lavar bem as mãos com sabão e usar máscara.

Enquanto nos protegemos, encorajo todos e todas a fazer o máximo possível para proteger também o meio ambiente durante esse período difícil, tomando consciência do impacto de nossa ação. Por exemplo, a menos que você esteja em uma categoria de alto risco, como os profissionais da área médica, substitua um equipamento de proteção descartável de baixa qualidade por máscaras laváveis ​​e reutilizáveis.

Pense duas vezes antes de comprar algo. Você realmente precisa daquilo? Tente escolher produtos reutilizáveis ​​e de baixo carbono. E lembre-se que, embora seja hora de ficar em casa, ainda devemos passar um tempo com a natureza, mesmo que seja apenas olhando os pássaros pela janela.

Dicas:

Para trabalho remoto, existem várias plataformas interessantes que podem acomodar diversos participantes para reuniões e seminários online, com recursos de compartilhamento de tela.

Atualmente, muitas aceleradoras e escolas de negócios estão realizando treinamentos online em sites de diversas partes do mundo – em russo, temos o SKOLKOVO, Open Education, que é grátis.

Se você deseja começar a aprender um novo idioma, o Duolingo é uma ótima plataforma gratuita.

Sonika Manandhar: Para manter a equipe da Aeloi focada e produtiva, estamos fazendo ligações diárias antes de iniciar e terminar nossos horários de trabalho. Enquanto estamos trabalhando de casa, notei que muitos de nós perdemos a noção do tempo e acabamos trabalhando muito mais horas que o necessário, indo até tarde da noite.

Durante esse período estressante, é essencial um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Comecei a estipular um horário para encerrar o trabalho e fazer alguma atividade que me desestresse. Estou me divertindo muito aprendendo violão, o que me proporciona um tempo de descanso perfeito e uma saída criativa depois de um dia cheio de chamadas e codificação. Agora é um ótimo momento para começar um hobby.

Dicas:

As notícias também podem aumentar os níveis de estresse. Por haver muita informação errada na mídia online atualmente, meu conselho é: leia e compartilhe apenas notícias de fontes confiáveis ​​e credíveis, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o ministério da saúde de seu país. Sempre verifique antes de compartilhar!
Se você quer aprender violão, a Fender está oferecendo três meses gratuitos de aulas!

Por que, agora mais do que nunca, você incentivaria jovens transformadores a se candidatarem ao Jovens Campeões da Terra?

Louise Mabulo: Agora, mais do que nunca, o mundo precisa de esperança, de agentes de mudança – jovens que são corajosos, engajados e podem liderar o caminho para um futuro próspero. Hoje em dia é muito fácil se perder na cacofonia das notícias negativas sobre a situação atual, mas os candidatos e candidatas, vencedores e vencedoras, dos Jovens Campeões de hoje e do futuro vão provar para todos nós que a luta para salvar nosso planeta continua firme. Não estamos desistindo, mas apenas começando.

Marianna Muntianu: A mãe natureza nos mandou uma forte mensagem através dessa pandemia: precisamos mudar nossos hábitos e desacelerar se quisermos continuar vivendo neste planeta. Esse é o momento perfeito para mostrar para as pessoas que o achatamento da curva da mudança climática e da destruição ambiental é tão importante quanto o achatamento da curva da COVID-19. Essa é a hora perfeita para formular e refinar ideias e implementar planos e estratégias para que elas aconteçam.

Sonika Manandhar: É importante ter em mente que, com uma falha no sistema, fica cada vez mais claro que precisamos transformá-lo. Essa é a hora de todos os jovens darem um passo a frente e se fazerem ouvir. Não há hora melhor para se inscrever para ser um Jovem Campeão da Terra.

Nota: Os comentários, sugestões e recomendações acima são atribuíveis a cada pessoa listada e não devem ser interpretados como conselhos ou endossados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Você tem o que é preciso para ser um Jovem Campeão da Terra? Faça sua inscrição até 30 de abril de 2020 (o prazo original de 10 de abril foi prorrogado). Ao se inscrever, você também se torna parte da nossa comunidade de transformadores.