Crise na Síria ameaça toda a região, alerta chefe político da ONU

No Conselho de Segurança, Jeffrey Feltman pediu ações imediatas para tentar estabilizar a situação no Oriente Médio. Frente israelense-palestina é outra prioridade.

Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos, Jeffrey Feldman, explica a situação no Oriente Médio para o Conselho de Segurança. Foto: ONU/Evan Schneider

Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos, Jeffrey Feldman, explica a situação no Oriente Médio para o Conselho de Segurança. Foto: ONU/Evan Schneider

Com a tragédia contínua na Síria, o chefe político das Nações Unidas disse ao Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (24) que, nesse momento de maior risco em todo o Oriente Médio, é necessária uma ação imediata, não só para enfrentar o impacto dessa crise, mas também para fazer progresso na frente israelense-palestina.

“À medida que a situação dentro da Síria continua a se deteriorar, é ainda mais vital que todos trabalhem em conjunto no sentido de preservar a estabilidade regional”, disse Jeffrey Feltman, Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos da ONU, ao informar o Conselho antes de um longo dia de debate sobre a situação.

Feltman disse que a frágil esperança devido à renovada participação dos Estado Unidos deve ser traduzida em sérios esforços entre as partes. “Agora é a hora de a comunidade internacional trabalhar de forma conjunta e eficaz”, acrescentou, lembrando que os líderes árabes, na recente Cúpula de Doha, confirmaram sua intenção de enviar uma delegação ministerial para Washington, no dia 28 de abril, para discutir o processo de paz.

Ressaltando os acontecimentos recentes, ele disse que Israel e Palestina chegaram a um importante acordo em 23 de abril, no Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), permitindo que uma missão de especialistas visitasse a Cidade Velha de Jerusalém, em meados de maio.

Feltman disse que o mês passado teve um aumento “considerável” de vítimas palestinas, em sua maioria provenientes de novos confrontos com as forças de segurança israelenses durante crescentes manifestações palestinas.

Importantes protestos em toda a Cisjordânia no dia 30 de março foram relativamente contidos em comparação com os anos anteriores, mas mesmo ele observou que 22 manifestantes palestinos e quatro soldados israelenses ficaram feridos.

Ao todo, as forças de segurança israelenses na Cisjordânia ocupada haviam realizado um total de 303 operações, contra 186 no último período do relatório de Feltman. Mas os níveis de violência tinham quase dobrado, com operações de segurança israelenses que resultaram em dois adolescentes palestinos mortos e 724 feridos. Um total de 354 palestinos foram presos, incluindo os líderes do Hamas e da Jihad Islâmica.

Quanto à Síria, ele lembrou que o Conselho tinha sido informado há apenas cinco dias sobre a situação atual por importantes funcionários humanitários da Organização. Ele pediu uma ação rápida para resolver a situação humanitária em curso dentro e fora do país devastado pela guerra, acrescentando que o Líbano e a Jordânia estão na linha de frente e também devem ser efetivamente apoiados.