‘Crise na região da bacia do Lago Chade é humanitária e ecológica’, diz FAO

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Investimentos críticos em agricultura e no alívio das mudanças climáticas são necessários para enfrentar a crise na bacia do Lago Chade, onde a fome, a pobreza e a falta de desenvolvimento rural prevalecem. O alerta é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). De acordo com dados da ONU, cerca de 7 milhões de pessoas enfrentam o risco de sofrer de fome na região.

Diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva (à direita), visitou no início de abril de 2017 algumas das áreas mais afetadas no Chade e no nordeste da Nigéria. Foto: FAO/Pius Utomi Ekpei

Diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva (à direita), visitou no início de abril de 2017 algumas das áreas mais afetadas no Chade e no nordeste da Nigéria. Foto: FAO/Pius Utomi Ekpei

Investimentos críticos em agricultura e no alívio das mudanças climáticas são necessários para enfrentar a crise na bacia do Lago Chade, onde a fome, a pobreza e a falta de desenvolvimento rural prevalecem. O alerta é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

De acordo com dados da ONU, cerca de 7 milhões de pessoas enfrentam o risco de sofrer de fome na região.

“Essa não é só uma crise humanitária. É também uma crise ecológica”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, a jornalistas em Roma, após visita na semana passada a áreas bastante afetadas no Chade e no nordeste da Nigéria.

“Esse conflito não pode ser apenas resolvido com armas. Trata-se de uma guerra contra a fome e contra a pobreza nas zonas rurais da bacia do Lago Chade”, acrescentou.

Ele afirmou que a paz é um pré-requisito para resolver a crise da região, mas não é suficiente. “A agricultura, incluindo a pecuária e a pesca, não pode mais representar uma preocupação tardia. São essas práticas econômicas que produzem alimentos e que sustentam os meios de subsistências de cerca de 90% da população da região.”

“Enquanto os conflitos e a violência causaram grande parte do sofrimento, o impacto da degradação do meio ambiente e das mudanças climáticas, incluindo as secas frequentes, pioraram a situação”, continuou o diretor-geral.

Diante da situação, a FAO e parceiros humanitários estão pedindo apoio urgente à comunidade internacional através de uma combinação de assistência alimentar e produção de alimentos.

O apelo é para o Plano de Estratégia da agência da ONU (2017-2019), que inclui, entre outras coisas, a distribuição de sementes de cereais, bem como a transferência de dinheiro e cuidados veterinários, a fim de permitir que os agricultores deslocados consigam uma colheita substancial, não percam animais e restabeleçam os estoques.

“Se os agricultores falharem na próxima temporada de plantio, que ocorre de maio a junho, não haverá colheitas substanciais até 2018, levando a uma fome mais generalizada e severa e à dependência prolongada da assistência externa”, concluiu Graziano.

(Foto de capa do vídeo: FAO/Pius Utomi Ekpei)


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