Crise na Nigéria está se espalhando por toda região, alerta ONU

Nas últimas semanas, o Boko Haram realizou ataques deixando vítimas civis no Chade, em Camarões e em Níger.

Refugiados nigerianos em Mora nos Camarões depois de fugir do Boko Haram. Foto: ACNUR/D. Mbaoirem

Refugiados nigerianos em Mora nos Camarões depois de fugir do Boko Haram. Foto: ACNUR/D. Mbaoirem

A crise no nordeste da Nigéria está se espalhando por toda a região à medida em que os combates entre o governo nigeriano e o grupo rebelde Boko Haram se intensificam, afirmaram aos jornalistas na sede da ONU em Nova York (EUA), nesta quinta-feira (19), o diretor de operações do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, e a diretora dos Programas de Emergência do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Afshan Khan, após sua recente visita à cidade de Yola, próximo à fronteira da Nigéria com Camarões.

Nas últimas semanas, o Boko Haram realizou ataques deixando vítimas civis no Chade, em Camarões e em Níger. De acordo com Ging, mais de 1 milhão de pessoas já foram deslocadas pelo conflito e cerca de 6.300 civis mortos. “O povo no nordeste da Nigéria tem sofrido imensamente”, disse.

Ele explicou também que a crise também tem impacto na segurança alimentar da região e em todo o Sahel.

“Com a proximidade da estação das chuvas e os recursos das comunidades ficando escassos, precisamos com urgência mobilizar assistência para ajudar as pessoas e apoiar as comunidades locais e organizações que fizeram muito até agora”, disse Ging, ressaltando que a região do Sahel é ainda muito dependente da produção de alimentos da Nigéria. Ele acrescentou que o OCHA injetou 28 milhões de dólares do Fundo Central de Repostas de Emergência da ONU para possibilitar um aumento na ação humanitária na Nigéria, Camarões, Chade e Níger.

De acordo com Khan, o conflito é um dos mais mortais em termos de impacto nas crianças, com meninas sendo estupradas e forçadas a casamentos precoces e milhares de meninos recrutados a força como crianças-soldado.

“Além dos números e das estatísticas estão histórias muito reais impactando as pessoas de uma forma trágica”, disse. “Mas, apesar de tudo que passaram, as mulheres que encontramos mantiverem uma força inabalável, coragem e determinação para reconstruir suas famílias, comunidades e país.”