Crise na Nigéria completa 10 anos; ONU pede apoio a milhões de pessoas vulneráveis

Dez anos após o início de uma violenta insurgência no nordeste da Nigéria levar o país a uma crise humanitária que “ainda está longe do fim”, as Nações Unidas e parceiros destacaram a necessidade de “redobrar esforços coletivos” para ajudar populações mais vulneráveis.

Ao longo da última década, o conflito deixou mais de 27 mil civis mortos e devastou comunidades, vilarejos e cidades nos três estados mais afetados.

Hoje, a crise humanitária continua sendo uma das mais severas do mundo. Mais de 7 milhões de pessoas precisam de ajuda e 1,8 milhão tiveram que deixar suas casas – a maioria mulheres e crianças.

Crianças em campo de deslocados internos em Damaturu, Nigéria. Foto: OCHA/Otto Bakano

Crianças em campo de deslocados internos em Damaturu, Nigéria. Foto: OCHA/Otto Bakano

Dez anos após o início de uma violenta insurgência no nordeste da Nigéria levar o país a uma crise humanitária que “ainda está longe do fim”, as Nações Unidas e parceiros destacaram a necessidade de “redobrar esforços coletivos” para ajudar populações mais vulneráveis.

“Estamos aqui hoje para lembrar aqueles que perderam suas vidas no conflito, e para lembrar aqueles que ainda lutam para sobreviver e reconstruir suas vidas”, disse Edward Kallon, coordenador humanitário da ONU na Nigéria, nesta quinta-feira (1º) em Abuja, capital nigeriana.

A comunidade humanitária na Nigéria, que inclui as Nações Unidas, o governo e organizações não governamentais, se reuniu para marcar solenemente o décimo ano da crise no nordeste do país e para lembrar as milhões de pessoas afetadas.

“Dez anos depois, não é hora de pouparmos esforços”, afirmou Kallon, dizendo que este “período muito crítico” exige esforços redobrados, “com apoio em todos os níveis – local, nacional e internacional”.

A comunidade humanitária enfatizou as imensas necessidades geradas pela crise, a necessidade de continuar intensificando assistência e o compromisso de aliviar o sofrimento das pessoas mais vulneráveis nos estados de Borno, Adamawa e Yobe.

Em reunião na Casa da ONU no país, eles também reafirmaram compromisso em trabalhar juntos para ajudar a população a reconstruir suas vidas e suas comunidades.

“Precisamos prestar atenção às necessidades e direitos de pessoas, especialmente de mulheres e crianças, e apoiar organizações locais a desempenhar um papel mais visível na resposta. A crise prolongada no nordeste é uma questão para todo o país. Não queremos que a crise dure outros dez anos”, disse Josephine Habba, presidente da rede de associações não governamentais Iniciativa de Desenvolvimento Humanitário (NINGONET).

Exposição fotográfica

O grupo também lançou uma exibição de fotografias, com uso de realidade virtual, sobre como a crise está impactando vidas de compatriotas que vivem em áreas afetadas pelo conflito. A exposição fica em cartaz na capital até 15 de agosto.

“A exibição Holding On transporta visitantes para as casas e comunidades de pessoas deslocadas internamente, que compartilham as histórias de seus deslocamentos e o significado do único item pessoal que estão guardando”, disse Richard Danziger, diretor regional da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

“Esta é a primeira vez que a exibição visita um dos países de onde estas histórias vieram e é uma oportunidade única para o povo nigeriano poder ver essas imagens com seus próprios olhos”.

Ao longo da última década, o conflito deixou mais de 27 mil civis mortos e devastou comunidades, vilarejos e cidades nos três estados mais afetados.

Hoje, a crise humanitária continua sendo uma das mais severas do mundo. Mais de 7 milhões de pessoas precisam de ajuda e 1,8 milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas – a maioria mulheres e crianças.

A comunidade humanitária tem aumentado esforços coletivos nos anos recentes e conseguiu fornecer assistência vital para quase 6 milhões de pessoas em 2018.


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