Crise econômica na Venezuela agrava desnutrição entre crianças, alerta UNICEF

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Em meio à crescente insegurança alimentar e à elevação da desnutrição entre crianças diante da crise econômica na Venezuela, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pediu no fim de janeiro (26) esforços de assistência rápidos e coordenados para alcançar as populações mais vulneráveis.

“Enquanto cifras precisas não estão disponíveis (…), há sinais claros de que a crise está limitando o acesso das crianças a serviços de saúde de qualidade, assim como a medicamentos e alimentos”, disse a agência da ONU em comunicado, enfatizando a gravidade da situação.

Consumidores esperam cinco horas na fila para comprar porção de pão de uma pequena padaria em Cumaná, na Venezuela. Foto: IRIN/Meridith Kohut

Consumidores esperam cinco horas na fila para comprar porção de pão de uma pequena padaria em Cumaná, na Venezuela. Foto: IRIN/Meridith Kohut

Em meio à crescente insegurança alimentar e à elevação da desnutrição entre crianças diante da crise econômica na Venezuela, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pediu no fim de janeiro (26) esforços de assistência rápidos e coordenados para alcançar as populações mais vulneráveis.

“Enquanto cifras precisas não estão disponíveis por conta dos dados oficiais limitados sobre saúde ou nutrição, há sinais claros de que a crise está limitando o acesso das crianças a serviços de saúde de qualidade, assim como a medicamentos e alimentos”, disse a agência da ONU em comunicado, enfatizando a gravidade da situação.

De acordo com o UNICEF, relatórios oficiais de 2009 (dados mais recentes) mostraram que a prevalência do baixo peso na comparação com a estatura em crianças com menos de 5 anos estava, na época, em 3,2%.

No entanto, estudos não oficiais mais recentes indicam “taxas significativamente mais altas” de até 15,5%, enquanto 20% das crianças estão sob risco de desnutrição.

Similarmente, o relatório “Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo 2017“, preparado por diversas agências da ONU, sugeriu que a desnutrição — uma medida de fome indicando a proporção da população com consumo inadequado de calorias — na Venezuela subiu de 10,5% em 2004-2006 para 13% em 2014-2016.

Em resposta, o governo venezuelano implementou medidas para mitigar o impacto da crise nas crianças, incluindo fornecer regularmente cestas de alimentos a preço acessível para as famílias mais vulneráveis, transferir renda e fortalecer serviços nutricionais e de recuperação.

“Mas é preciso fazer mais para reverter o preocupante declínio do bem-estar nutricional das crianças”, disse o UNICEF, pedindo a rápida implementação de uma resposta de curto prazo para combater a desnutrição, com base em dados desagregados e coordenados entre governo e parceiros.

De sua parte, a agência da ONU informou estar trabalhando com o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Nutrição e a sociedade civil venezuelana para fortalecer e expandir o controle sobre a nutrição no nível comunitário e fornecer serviços de recuperação nutricional por meio de organizações parceiras.

Os esforços estão sendo implementados por meio de atividades especiais para atingir mais de 113 mil crianças, fornecendo alimentos suplementares e terapêuticos quando necessário, programas de treinamento e campanhas de comunicação, acrescentou o UNICEF.

A Venezuela enfrenta uma crise socioeconômica e política desde 2012, e testemunhou uma elevação dos preços ao consumidor, mesmo com o declínio da economia.


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