Crise do vulcão na Guatemala afeta 1,7 milhão de pessoas, diz ONU

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Quase 12,8 mil pessoas viviam na encosta do Vulcão de Fogo, na Guatemala, e tiveram de abandonar seus lares. Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alerta que a tragédia humanitária afeta a vida de 1,7 milhão de cidadãos. Organismo pede apoio urgente para desabrigados que perderam meios de sobrevivência.

Equipe do ACNUR conversa com os sobreviventes da erupção do Vulcão de Fogo no Centro Universitário do Sul (UNSUR), que abriga aproximadamente 214 pessoas. Foto: ACNUR/Pablo Aaron Villagran Castellanos

Equipe do ACNUR conversa com os sobreviventes da erupção do Vulcão de Fogo no Centro Universitário do Sul (UNSUR), que abriga aproximadamente 214 pessoas. Foto: ACNUR/Pablo Aaron Villagran Castellanos

Dez dias após a primeira erupção do Vulcão de Fogo, na Guatemala, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) expressou preocupação nesta semana com mais de 1,7 milhão de pessoas afetadas pela catástrofe. Quase 12,8 mil pessoas viviam na encosta do vulcão e tiveram de abandonar seus lares.

“Meu filho e meu marido estão dormindo neste abrigo temporário e durante o dia eles vigiam nossa casa para que ninguém roube nossos pertences”, conta Lucia, uma das moradoras do entorno da montanha, que agora está abrigada na cidade de Escuintla, nas planícies ocidentais da Guatemala. Sua família e sua residência ficaram de pé, apesar da destruição que matou pelo menos 110 pessoas nas últimas semanas. Outras 200 estão desaparecidas.

Segundo a agência da ONU, 5.074 pessoas deslocadas foram acolhidas no sul do país em abrigos temporários, incluindo igrejas, escolas, centros culturais e esportivos e prefeituras. Outros guatemaltecas buscaram segurança nas casas de parentes e amigos.

“Assim que a atividade vulcânica diminuiu e o acesso foi permitido, o ACNUR mobilizou equipes para ajudar a avaliar a situação e determinar as necessidades, visitando abrigos coletivos e comunidades que abrigam pessoas que foram evacuadas”, disse o porta-voz do organismo, Andrej Mahecic, em Genebra, na última terça-feira (12).

O representante acrescentou que é preciso disponibilizar apoio urgente para as pessoas forçadas a abandonar suas casas e propriedades. De acordo com Mahecic, seus meios de subsistência também foram afetados.

O ACNUR está liderando os esforços de proteção da ONU e coordenando outras agências e a comunidade humanitária para melhorar a proteção e a segurança nas áreas comuns e nas instalações de saneamento. “Isso inclui garantir o acesso a abrigos para pessoas com deficiências, apoiar mulheres grávidas e lactantes, fornecer apoio psicossocial e kits de higiene, e criar espaços seguros para crianças e mulheres”, afirmou Mahecic.

Resgates estão sendo realizados nesta semana, apesar da contínua atividade vulcânica. Erupções têm causado uma liberação ininterrupta de lava, gases tóxicos, cinzas quentes e rochas. O Vulcão de Fogo continua ativo e o ACNUR teme que a previsão de chuva possa aumentar os riscos de lama e deslizamentos de terra.

A incerteza é mais um desafio para os que vivem em abrigos, como Ana Carolina, mãe de um bebê de 17 dias. Ela e o filho moram atualmente no Centro Universitário do Sul (CUNSUR), em Escuintla.

“Não temos ideia de quando voltaremos para casa”, diz a guatemalteca. “Eles nos disseram que as cinzas do vulcão em nossa casa são tóxicas para o nosso bebê.”


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