Crise de sarampo na Somália motiva campanhas de vacinação pelo governo e agências da ONU

UNICEF estima que somente entre março e abril o país teve 1.350 casos da doença – número quatro vezes maior que o registrado no mesmo período em 2013.

Além do risco de morte, crianças podem sofrer com cegueira, surdez ou danos cerebrais por toda a vida como consequências do sarampo. Foto: ONU/Marie Frechon

Nesta terça-feira (10), agências das Nações Unidas pediram uma urgente campanha de vacinação para conter o sarampo na Somália. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que somente entre março e abril deste ano o país teve mais de 1.350 casos da doença – um número quatro vezes maior que o registrado no mesmo período em 2013.

“Isso é extremamente preocupante”, disse o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Somália, Ghulam Popal. “Há um péssimo serviço de saúde devido aos anos de conflito. Sabemos que os níveis de imunização entre as crianças somalis são muito baixos e precisamos assegurar com urgência que o máximo possível delas seja vacinado”.

Com o apoio da OMS, UNICEF e organizações parceiras, as autoridades de saúde da Somália lançaram campanhas de vacinação em pequena escala e se preparam para uma vacinação de emergência maior nas áreas mais afetadas — Bari, Nugaal, Mudug, Banadir e Baixo Juba –, envolvendo cerca de meio milhão de crianças com menos de cinco anos.

“Temos um número muito alto de crianças subnutridas na Somália”, disse o representante do UNICEF no país, Sikander Khan. “Crianças assim estão mais vulneráveis à enfermidade e também mais propensas a morrer ou sofrer de deficiências como cegueira, surdez ou danos cerebrais ao longo da sua vida como resultado do sarampo”.