Crise de refugiados fugindo do Sudão do Sul é a que cresce mais rapidamente no mundo, diz ONU

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Atualmente, o número de pessoas que deixou o Sudão do Sul para buscar segurança em nações vizinhas é de 1,6 milhão. Em março, novas chegadas a territórios estrangeiros atingiram uma máxima de mais de 5 mil por dia. Uganda é o país mais sobrecarregado, com 800 mil sul-sudaneses.

Segundo a ONU, arrecadações para as vítimas de deslocamento forçado vivendo em outros países atingiram apenas 8% da meta de 781,8 milhões de dólares.

Crise de refugiados do Sudão do Sul é a maior da África. Foto: ACNUR/David Azia

Crise de refugiados do Sudão do Sul é a maior da África. Foto: ACNUR/David Azia

A crise de refugiados que fogem do Sudão do Sul é a que cresce mais rapidamente no mundo, alertou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Atualmente, o número de pessoas que deixou o país para buscar segurança em nações vizinhas é de 1,6 milhão. Segundo a ONU, arrecadações para as vítimas de deslocamento forçado vivendo em território estrangeiro atingiram apenas 8% da meta de 781,8 milhões de dólares.

“Nenhum país vizinho está imune. Os refugiados estão sendo forçados a se deslocar para o Sudão, Etiópia, Quênia, República Democrática do Congo e República Centro-Africana. Quase a metade atravessou para Uganda, onde a situação no norte do país está crítica”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Babar Baloch, em coletiva de imprensa em Genebra.

O representante do organismo internacional explicou que “até recentemente, nós víamos um influxo de 2 mil novas pessoas diariamente, mas em fevereiro, este número alcançou uma máxima de mais de 6 mil pessoas em um único dia”. “Em março, a máxima diária atingiu mais de 5 mil, com uma média de aproximadamente 2,8 mil novas chegadas todos os dias”, informou.

Estamos no limite.
Uganda não pode lidar sozinha
com a maior crise de
refugiados da África.

A atual crise de refugiados é provocada pelo conflito civil que mergulhou o Sudão do Sul num cenário de instabilidade política, violência generalizada e escassez de alimentos. A seca no país também agravou os riscos de fome e inanição.

O ACNUR considera que os níveis mais recentes de deslocamento são “alarmantes” e representam “um fardo impossível de ser carregado em uma região com desafios econômicos” consideráveis.

Uganda pede apoio internacional

Uganda é o país que mais acolhe refugiados sul-sudaneses. Até o momento, 800 mil já chegaram à nação. Destes, 172 mil entraram em território ugandense em 2017. Outros 572 mil deixaram o Sudão do Sul desde julho de 2016. Com as atuais taxas de novas chegadas — 2,8 mil por dia —, o número total de refugiados recebidos por Uganda deverá ultrapassar a marca de 1 milhão antes da metade de 2017.

“Uganda continuou a manter as fronteiras abertas”, afirmou nesta quinta-feira (23) o primeiro-ministro do país, Ruhakana Rugunda. “Mas esse influxo em massa sem precedentes está sobrecarregando nossos serviços públicos e a infraestrutura local. Continuamos a receber nossos vizinhos nesse momento de necessidade, mas nós precisamos urgentemente que a comunidade internacional ajude.”

“Estamos no limite. Uganda não pode lidar sozinha com a maior crise de refugiados da África“, declarou o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi.

O ACNUR considera que a situação dos sul-sudaneses em Uganda representa o primeiro e maior teste para o compromisso selado pelos Estados-membros das Nações Unidas em setembro do ano passado, durante a reunião de Alto Nível da ONU sobre Grandes Movimentos de Refugiados e Migrantes, em Nova Iorque.

Entre os acordos firmados, está a adesão a uma abordagem inovadora para enfrentar o deslocamento forçado — o Quadro de Resposta Abrangente para Refugiados (tradução livre de Comprehensive Refugee Response Framework).

Uganda é vanguardista na implementação desse tipo de resposta. Ao lado de outros cinco países, decidiu integrar esforços humanitários e desenvolvimentistas. Isso inclui fornecer terrenos aos refugiados e integrá-los aos planos nacionais de desenvolvimento, além de lhes garantir acesso ao mercado de trabalho.

“A menos que haja, urgentemente, um apoio em larga escala, esses esforços correm risco de fracassar. Atualmente, as arrecadações para refugiados do Sudão do Sul atingiram somente 8% da meta de 781,8 milhões de dólares. Ainda faltam 267 milhões de dólares para o financiamento do ACNUR em Uganda”, disse Baloch.


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