Crime organizado transnacional gera 870 bilhões de dólares por ano, alerta campanha do UNODC

Analisando esta ameaça multimilionária para a paz, a segurança humana e a prosperidade, campanha liderada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) reflete os custos econômicos e sociais do problema internacional.

Crime organizado transnacional gera 870 bilhões de dólares por ano, alerta campanha do UNODCO Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) lançou hoje (16) uma nova campanha global de conscientização que enfatiza o tamanho e os custos do crime organizado transnacional. Analisando esta ameaça multimilionária para a paz, a segurança humana e a prosperidade, a campanha reflete os custos econômicos e sociais do problema internacional por meio de um novo anúncio de serviço público (acesse abaixo) e fichas técnicas específicas, direcionadas aos meios de comunicação.

Com lucros estimados em 870 bilhões de dólares ao ano, as redes do crime organizado se aproveitam da venda de mercadorias ilegais onde quer que exista demanda. Estas imensas receitas equivalem a mais de seis vezes o montante disponível para a assistência oficial para o desenvolvimento e são comparáveis a 1,5% do PIB mundial ou a 7% das exportações mundiais de mercadorias.

Disponível em www.unodc.org/toc, a campanha está sendo veiculada por meio de canais online e emissoras internacionais e busca conscientizar sobre os custos econômicos e o impacto social desta ameaça. Abordando temas como o tráfico de pessoas, o contrabando de migrantes, as falsificações, as drogas ilícitas, os crimes contra o meio ambiente e as armas ilegais, a campanha oferece uma análise detalhada dos principais crimes e contravenções atuais.

Tráfico de drogas é o mais lucrativo

Com custo estimado em 320 bilhões de dólares, o tráfico de drogas é o negócio ilícito mais lucrativo para os criminosos. O tráfico de pessoas gera, anualmente, cerca de 32 bilhões de dólares, e outras estimativas indicam que os benefícios globais do contrabando de migrantes alcançam 7 bilhões de dólares por ano.

O meio ambiente também é explorado: o tráfico de madeira gera lucros de 3,5 bilhões de dólares por ano, somente no Sudeste Asiático, enquanto que o marfim de elefantes, os chifres de rinocerontes e algumas partes de tigres que vêm da África e da Ásia geram cerca de 75 milhões de dólares por ano. Com lucros anuais estimados em 250 bilhões de dólares, a falsificação também é um negócio muito lucrativo para os grupos do crime organizado.

Além desses números, o custo humano associado ao crime organizado transnacional também é um tema de grande preocupação, já que todos os anos inúmeras vidas são perdidas. A violência e os problemas de saúde associados às drogas, as mortes por armas de fogo e a falta de escrúpulos dos traficantes de seres humanos e dos contrabandistas de migrantes fazem parte disto.

Cada ano, milhões de pessoas são afetadas em consequência das atividades dos grupos do crime organizado, entre as quais apenas as vítimas do tráfico de pessoas são estimadas em 2,4 milhões a cada momento.

Lucros internacionais, consequências locais

A campanha liderada pelo UNODC também mostra que, apesar de ser uma ameaça global, os efeitos do crime organizado transnacional são percebidos em nível local. Os grupos criminosos podem desestabilizar países e regiões inteiras, minando a assistência ao desenvolvimento em determinadas áreas e aumentando a corrupção interna, a extorsão, a associação ilícita e a violência.

“O crime organizado transnacional está presente em todas as regiões e em todos os países do mundo. Deter esta ameaça transnacional representa um dos maiores desafios em nível global para a comunidade internacional”, disse o diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov.

“Nossa habilidade para conscientizar a sociedade e propiciar um melhor entendimento entre os tomadores de decisão e formuladores de políticas-chave são essenciais para o nosso sucesso. Espero que os meios de comunicação implementem a campanha do UNODC para ressaltar exatamente como os criminosos enfraquecem as sociedades e provocam dor e sofrimento tanto aos indivíduos quanto às comunidades”, acrescentou.

A campanha busca evidenciar que, em última instância, sempre existe alguém sofrendo e que sempre existe uma vítima. O dinheiro, por exemplo, é lavado por meio de sistemas bancários, minando o comércio internacional legítimo. As pessoas são vítimas de roubo de identidade, com 1,5 milhão de pessoas sendo enganadas todos os anos.

Grupos criminosos traficam mulheres para explorá-las sexualmente, assim como as crianças, com o objetivo de forçá-las a pedir esmola, assaltar, roubar e furtar carteiras. Medicamentos e alimentos falsificados entram no mercado legal e não apenas enganam o consumidor, mas também colocam em risco sua vida e saúde.

A campanha multilíngue consiste em dois Anúncios de Serviço Público de 30 e 60 segundos, um conjunto de posteres, uma série de fichas informativas e diversos banners para a internet. Todos os materiais estão disponíveis no site da campanha – www.unodc.org/toc

O vídeo com legendas em português está disponível em http://youtu.be/UKYkon2Rif8

A campanha também está programada para as mídias sociais por meio do Twitter (@unodc; #TOC), Facebook (facebook.com/unodc) e Google+ (plus.ly/unodc).

Fatos rápidos

Estima-se que o crime organizado transnacional gere 870 bilhões de dólares por ano – mais de seis vezes o total da assistência oficial ao desenvolvimento e o equivalente a cerca de 7% das exportações mundiais de mercadorias (2009).

Todos os anos, inúmeras vidas são perdidas, como resultado do crime organizado. Problemas de saúde relacionados com a droga e a violência, mortes por arma de fogo e os métodos inescrupulosos e motivos dos traficantes de seres humanos e contrabandistas de migrantes são todos elementos deste tipo de crime.

O crime organizado transnacional não está estagnado, é uma indústria em constante mudança, adaptando-se aos mercados e criando novas formas de crime. Em suma, é um negócio ilícito que transcende as fronteiras culturais, sociais, linguísticas e geográficas – e que não conhece fronteiras ou regras.

Há muitas atividades que podem ser caracterizadas como crime organizado transnacional, incluindo o tráfico de drogas, o contrabando de migrantes, o tráfico de seres humanos, a lavagem de dinheiro, o tráfico de armas de fogo, a falsificação de produtos, contrabando da vida selvagem e de bens culturais, e até mesmo alguns aspectos relacionados ao cibercrime.