Crianças refugiadas participam de plantio de árvores da Mata Atlântica em São Paulo

Em São Paulo, o primeiro sábado de julho amanheceu sem sol, com frio e a famosa garoa. Mas para um grupo de cerca de 50 crianças refugiadas e brasileiras, isso pouco importava. Todas acordaram com uma missão especial: plantar mudas nativas da Mata Atlântica no Parque do Rodeio, zona leste da capital paulista. Atividade contou com a participação do ator Victor Fasano e da organização não governamental I Know My Rights (IKMR), parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Irmãs sírias que vivem no Brasil há quase dois anos posam para uma foto depois de terem plantado uma muda de uma espécie típica da Mata Atlântica em São Paulo. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Irmãs sírias que vivem no Brasil há quase dois anos posam para uma foto depois de terem plantado uma muda de uma espécie típica da Mata Atlântica em São Paulo. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Em São Paulo, o primeiro sábado de julho amanheceu sem sol, com frio e a famosa garoa. Mas para um grupo de cerca de 50 crianças refugiadas e brasileiras, isso pouco importava. Todas acordaram com uma missão especial: plantar mudas nativas da Mata Atlântica no Parque do Rodeio, zona leste da capital paulista.

Enquanto os funcionários da prefeitura preparavam o terreno e as plantas, meninos e meninas da República Democrática do Congo, Síria, Jordânia, Líbano e Angola desciam do ônibus felizes com a oportunidade de poder realizar o primeiro plantio de árvores de suas vidas, em solo brasileiro.

“Plantar árvores é uma atitude especial, ainda mais acompanhando crianças e jovens. Toda e qualquer guerra não faz bem e ter um parque como este, no meio da cidade, com muito verde, traz uma sensação de paz e tranquilidade. Isso nos faz olhar para o futuro, não para o passado”, disse a síria Salsabil, mãe de uma bebê brasileira que nasceu há dois meses.

As crianças, de idades e contextos variados, tinham em comum a disposição para aprender sobre a mistura da terra com a compostagem para fazer as plantas “crescerem fortes para chegar lá em cima, ficarem bem grandes para nos proteger do sol e da chuva, com ajuda das minhocas e dos insetos para dar flores e frutos”, conforme descreveu Mohamed, de dez anos, mostrando que aprendeu bem a lição.

O ator e ambientalista Victor Fasano esteve presente e foi quem explicou às crianças as formas de plantio, a origem das árvores e a importância delas para a conservação dos recursos naturais e da qualidade de vida das pessoas nas cidades.

“O que está acontecendo no mundo com as questões relacionadas aos refugiados, em especial às crianças, é de uma desumanidade gigantesca, insustentável e inaceitável”, afirmou o ator, que ressaltou a importância do simbolismo que o plantio das árvores tem.

O ator e ambientalista Victor Fasano acompanha o plantio de uma árvore feito por um grupo de jovens refugiados no Parque do Rodeio, na zona leste de São Paulo. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

O ator e ambientalista Victor Fasano acompanha o plantio de uma árvore feito por um grupo de jovens refugiados no Parque do Rodeio, na zona leste de São Paulo. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

A diretora da organização não governamental I Know My Rights (IKMR), Vivianne Reis, acrescentou que a maior necessidade das crianças refugiadas é ter seus direitos assegurados para um futuro promissor. “O que elas precisam é de uma oportunidade, uma chance para poder se se desenvolver e crescer em segurança. Precisam sentir que não perderam o seu lugar neste mundo e que o futuro da humanidade conta com cada uma delas”, disse.

De acordo com o mais recente relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) — “Tendências Globais do Deslocamento Forçado em 2016” —, há no mundo todo 22,5 milhões de pessoas refugiadas. Mais da metade desse contingente (51%) é de crianças. No ano passado, 75 mil menores desacompanhados ou separados de seus responsáveis solicitaram refúgio em 70 países.

No Brasil, o organismo internacional financia um projeto de educação complementar que é desenvolvido pela IKMR. A iniciativa oferece atendimento em três modalidades: promoção da integração na escola, plantão de apoio escolar e acompanhamento das dificuldades de aprendizagem das crianças. Atualmente, o programa dá assistência a 50 jovens refugiados e solicitantes de refúgio com idade entre seis e 12 anos.

Além das intervenções diretas, a parceria entre o ACNUR e a ONG tem promovido o fortalecimento dos vínculos entre familiares e educadores, estimulando ainda a articulação entre os centros de ensino que são frequentados por refugiados na capital paulista.