Crianças africanas precisam de ambiente mais protetor, avalia UNICEF

No Dia da Criança Africana, Fundo das Nações Unidas para a Infância pede que governos promovam igualdade social e combatam a discriminação de gêneros, idade e etnia.

No Dia da Criança Africana (16/06), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) convocou os governos africanos a prover um “ambiente mais protetor” para evitar o abuso, a exploração e garantir a segurança das crianças. Por meio de um comunicado à imprensa, a agência afirmou que é preciso fortalecer as capacidades familiares oferecendo cuidados de saúde e sociais básicos, além de promover a educação.

“Temos de fazer tudo o que for possível para abordar as razões pelas quais tantas crianças são separadas de suas famílias, e investir em novos esforços para protegê-las, não importando onde elas vivam”, declarou o Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake.

A pobreza, os conflitos armados, o HIV/AIDS, as mudanças climáticas e a violência doméstica têm forçado muitas crianças a deixar suas casas para viver e trabalhar nas ruas, expostas à violência e à exploração, informou a agência. Muitas outras são exploradas de maneiras não tão visíveis, trabalhando em casa de famílias, em fazendas, minas ou mesmo em grupos armados.

Na África subsaariana, cerca de 50 milhões de crianças perderam os pais, quase 15 milhões vítimas do HIV. Algumas delas são forçadas a crescer por conta própria, com pouco ou nenhum apoio de tutores adultos. A região tem as maiores taxas de trabalho infantil no mundo, com mais de um terço das crianças entre 5 e 14 anos em atividades de risco.

Segundo a UNICEF, os governos, com o apoio de parceiros, precisam investir recursos adequados nas comunidades rurais desfavorecidas para reduzir as disparidades entre regiões e grupos de renda, bem como enfrentar a discriminação baseada no gênero, idade, etnia, entre outros fatores.

Nos últimos anos, vários países africanos conseguiram ganhos importantes na implementação de uma estrutura de direitos da criança e do adolescente. Muitos introduziram mecanismos de proteção social, incluindo as transferências de renda, que desempenham um papel fundamental no apoio às famílias vulneráveis e evitam que crianças saiam de suas casas para trabalhar.