Crescimento sustentável de longo prazo para Ásia e Pacífico requer investimentos em políticas de proteção social

ONU e Ipea lançam com exclusividade em Brasília relatório sobre previsões econômicas e sociais para países da região. As economias da Ásia e do Pacífico vão ter um crescimento moderado em 2013, após forte desaceleração no ano passado causada por fatores externos. O Relatório argumenta que, em meio à situação de incerteza mundial, é fundamental buscar um crescimento que leve em conta políticas redistributivas e a preservação do meio ambiente.

As economias da Ásia e do Pacífico vão ter um crescimento moderado em 2013, após forte desaceleração no ano passado causada por fatores externos, disse a ONU em seu relatório social e econômico para a região.

O progresso econômico da região tem sido marcado pelo aprofundamento das desigualdades de renda e esgotamento dos recursos naturais. O Relatório Econômico e Social da Ásia e do Pacífico 2013: Perspectivas de políticas macroeconômicas para o desenvolvimento inclusivo e sustentável chama atenção para a necessidade de correções nas políticas macroeconômicas para a promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Seminário Ásia e Brasil: Perspectivas para o crescimento inclusivo - Lançamento do Relatório Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e Pacífico de 2013 no Brasil

O Relatório 2013 foi apresentado nesta quinta-feira (18) no Seminário intitulado “Ásia e o Brasil: Perspectivas para o Crescimento Inclusivo” em Brasília, organizado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Relatório argumenta que, em meio à situação de incerteza mundial, é fundamental buscar um crescimento que leve em conta políticas redistributivas e a preservação do meio ambiente. É estimado que a incerteza política na zona do euro e nos Estados Unidos desde o início da crise mundial pode ter reduzido o PIB regional em 3% — uma perda de 870 bilhões de dólares.

“Enquanto a região da Ásia-Pacífico tem resistido à crise financeira melhor do que em muitas outras partes do mundo, há uma necessidade urgente de adaptar as políticas macroeconômicas para enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável e ajudar os mais pobres e mais vulneráveis”, disse o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

As recomendações desta edição do Relatório procuram ajudar esses países a avançar economicamente, socialmente e ambientalmente, alegando que tais medidas podem orientar a região em direção a um caminho de crescimento mais inclusivo e sustentável.

“Esses esforços podem ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Um maior progresso vai alimentar a confiança e mobilizar apoio para uma agenda de desenvolvimento ambiciosa pós-2015”, acrescenta Jorge Chediek, Coordenador Residente das Nações Unidas e Representante Residente do PNUD no Brasil.

“O Relatório sugere a necessidade de novas políticas macroeconômicas na Ásia. O exemplo brasileiro nos mostra que as políticas sociais podem desempenhar um papel vital no alcance do desenvolvimento inclusivo e sustentável”, diz Claudio Hamilton dos Santos, diretor de Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea.

“Na América Latina temos visto que o investimento público na área social, tais como programas de transferência de renda condicionada, pensões sociais não contributivas, acesso à saúde e educação, podem contribuir tanto para o crescimento do PIB quanto para o aumento do consumo interno, permitindo a mobilidade social de milhões de pessoas”, afirma Fabio Veras, coordenador de pesquisa do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG/PNUD).

Crescimento Limitado

A melhoria esperada na demanda global decorrente do crescimento estável nos Estados Unidos e do crescimento limitado das economias emergentes pode ajudar a elevar o crescimento da Ásia-Pacífico para 6% em 2013, um pouco mais que os 5,6% registrados no ano passado.

Para a China é previsto um aumento moderado no crescimento de 7,8% em 2012 para 8% em 2013, enquanto que para a Índia estima-se a elevação do PIB de 5% em 2012 para 6,4 % em 2013.

Petróleo e gás de exportação da Ásia do Norte e Central vão manter um crescimento constante, ao continuar a beneficiar da alta dos preços globais de energia. Já no Sul e Sudoeste da Ásia, as economias do Afeganistão, Bangladesh, Butão e Sri Lanka são projetadas para crescer 6% ou mais em 2013.

As economias baseadas em exportação da Ásia do Leste e Nordeste, assim como no Sudeste Asiático, podem se beneficiar da “melhoria, ainda que moderada, do comércio global”. No entanto, a demanda interna será o motor principal da economia na Indonésia, proporcionado um crescimento robusto de 6,6% em 2013. E o consumo privado irá apoiar o crescimento nas Filipinas (6,2% em 2013) e na Tailândia (5,3% em 2013), enquanto que a economia do Vietnã deve crescer 5,5% no segundo semestre de 2013.

Tendências

O relatório adverte que “um crescimento muito menor em comparação aos últimos anos poderia se tornar um novo padrão para várias economias na região se as tendências econômicas permanecerem”. O que poderia causar uma perda no produto estimada em aproximadamente 1,3 trilhão de dólares até final de 2017.

Problemas estruturais de longo prazo, como a crescente desigualdade e a escassez de energia e infraestrutura estão contribuindo para a desaceleração regional. O Relatório diz que uma “solução estrutural para impulsionar o crescimento interno pode viabilizar o processo de desenvolvimento mais inclusivo e sustentável”.

Por se tratar de uma região em que vivem cerca de dois terços dos pobres do mundo, com mais de 1 bilhão de pessoas com meios de subsistência precários, o Relatório destaca os benefícios econômicos da proteção social. É necessário investimento público em pacotes de proteção social e políticas de desenvolvimento sustentável – através de programas de geração de emprego, regime de pensão universal, benefícios para população com deficiência, aumento dos gastos com saúde e educação e acesso universal a fontes de energia eficiente.

O investimento em proteção social poderá ser autofinanciado por alguns países se investirem entre 5 e 8% do PIB, embora países menos desenvolvidos e geograficamente desfavorecidos, além de pequenos estados insulares em desenvolvimento terão que contar com apoio externo. Estes investimentos não trazem risco para a estabilidade macroeconômica.

Tailândia e China mostram o caminho

Entre as medidas de apoio ao desenvolvimento inclusivo, o relatório também foca em políticas de valorização do salário mínimo que podem beneficiar empregadores e a economia como um todo. Por exemplo, os recentes aumentos no salário mínimo na Tailândia podem aumentar o crescimento do emprego em até 0,6% e o crescimento real do PIB em 0,7% até 2015.

Outro modelo para políticas de crescimento inclusivo é o reequilíbrio em curso da economia chinesa, que visa reduzir a dependência das exportações e impulsionar a demanda doméstica movida pelo consumo. A Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e Pacífico (ESCAP) estima que este modelo possa beneficiar o comércio intra-regional, gerando um adicional de 13 bilhões de dólares no valor das exportações de outros países da Ásia-Pacífico para a China durante 2013 e 2015. Dessa forma o crescimento nas exportações regionais pode chegar a 0,5%.

O Relatório completo em inglês está disponível para download através do link:
www.ipc-undp.org/pressroom/files/ipc827.pdf

Para mais informações, por favor visite www.ipc-undp.org, Facebook: www.facebook.com/ipc.undp, Twitter: www.twitter.com/UNDP_IPC , YouTube: www.youtube.com/ipcundp

Ou entre em contato através de:

Brasilia:
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Communications Officer, IPC-IG
T: (55) 61 2105 5036/ M (55) 61 8125 6469
mariana.hoffmann@ipc-undp.org

Bangkok:
Francyne Harrigan
Chief, Strategic Communications and Advocacy Section, ESCAP
M: (66) 81 835 8677, E: harriganf@un.org

Seminário “Ásia e Brasil: Perspectivas para o crescimento inclusivo” – Lançamento do Relatório Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e Pacífico de 2013 no Brasil

DATA: 18 de abril de 2013, quinta-feira
HORÁRIO: 9h00min – 12h20min
LOCAL: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) SBS, Quadra 1, Edifício BNDES, Auditório do 16º andar

Agenda

9h – Café da manhã de boas vindas aos convidados
10h – Abertura do evento

  • Sr. Claudio Hamilton dos Santos, Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

10h20 – Lançamento do Relatório “Perspectivas Econômicas e Sociais da Ásia e Pacífico 2013: Políticas Macroecômicas Inovadoras para o Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo”

  • Sr. Jorge Chediek, Coordenador-Residente da Organização das Nações Unidas e Representante-Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil

10h40 – Conjuntura macroeconômica e o desenvolvimento inclusivo sustentável

  • Sr. Claudio Hamilton dos Santos, Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

11h – Países emergentes: perspectivas para políticas de crescimento inclusivo

  • Sr. Fabio Veras, Coordenador de pesquisa, Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Brasília

11h20 – Paralelos entre América Latina e Ásia no atual contexto mundial

  • Sr. Carlos Mussi, Diretor do Escritório no Brasil da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL, Nações Unidas), Brasília

11h40 – Oportunidades de diálogo Brasil-Ásia

  • Sr. Renato Baumann, Diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

12h – Sessão de perguntas e respostas com os palestrantes
12h20 – Encerramento