Crescimento econômico ‘excede expectativas’, mas tensões comerciais estão em alta

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

O crescimento econômico global está superando expectativas em 2018, mas o aumento de tensões geopolíticas e a incerteza acerca do comércio internacional podem minar o progresso, segundo relatório da ONU; PIB global deve crescer mais de 3% neste ano e no próximo.

A Tanzânia se beneficiou de um rápido crescimento econômico, mas a desigualdade econômica e social, sobretudo para mulheres, continua alta. Foto: UNCTAD/Adam Kane

A Tanzânia se beneficiou de um rápido crescimento econômico, mas a desigualdade econômica e social, sobretudo para mulheres, continua alta. Foto: UNCTAD/Adam Kane

O crescimento econômico global está superando expectativas em 2018, mas o aumento de tensões geopolíticas e a incerteza acerca do comércio internacional podem minar o progresso, segundo um relatório recém-lançado da ONU.

O Produto Interno Bruto (PIB) global deverá crescer mais de 3% neste ano e no próximo, de acordo com o relatório ‘Situação Econômica Mundial e Perspectivas’ (WESP, na sigla em inglês). Esse incremento representa uma melhora no cenário econômico, em comparação com a previsão de crescimento de 3% e 3,1% para 2018 e 2019, apontada por uma estimativa realizada seis meses antes.

A mudança reflete um forte crescimento nos países desenvolvidos devido à aceleração dos aumentos salariais, condições de investimento amplamente favoráveis e ao impacto de curto prazo de um pacote de estímulo fiscal adotado nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o aumento global na demanda agilizou o crescimento do comércio. Muitos países com economias centradas na exportação de commodities também se beneficiarão do aumento nos preços do metal e da energia.

Elliott Harris, economista-chefe e secretário-geral assistente da ONU para o desenvolvimento econômico, afirmou que a previsão de crescimento econômico acelerado é uma notícia positiva para o esforço internacional em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que incluem erradicar a pobreza extrema e a fome.

Entretanto, Harris alertou que “existe uma forte necessidade de não nos tornarmos complacentes em face da tendência ascendente dos números”.

O economista também declarou que o relatório “reforça o modo como os riscos também têm aumentado”, ressaltando como essas ameaças “evidenciam a necessidade urgente de abordar diversos desafios políticos, incluindo riscos ao sistema multilateral de comércio, alta desigualdade social e o novo aumento em emissões de carbono”.

Barreiras comerciais e medidas de retaliação marcam uma mudança do apoio incondicional às normas do sistema internacional de comércio, o que ameaça o ritmo do crescimento econômico global com repercussões potencialmente graves, sobretudo para economias em desenvolvimento.

O documento também aponta como a desigualdade de renda continua alta em muitos países. Porém, há evidência de melhoras consideráveis em algumas nações em desenvolvimento ao longo da última década.

Em determinados países da América Latina e do Caribe, medidas políticas relacionadas ao nível do salário-mínimo, educação e pagamentos de transferências governamentais reduziram significativamente a desigualdade ao longo dos últimos 20 anos.

O relatório conclui que emissões globais de dióxido de carbono relacionadas à produção de energia aumentaram em 1.4% em 2017, devido ao maior crescimento econômico, custo relativamente baixo de combustíveis fosseis e estratégias de produção de energia pouco eficientes.

Reformar os subsídios a combustíveis fósseis e garantir reduções fiscais para incrementar o crescimento da economia verde poderiam acelerar o esforço internacional para manter a emissão de gases-estufa no limite estabelecido pelo Acordo de Paris, em 2015.


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