Cresce número de refugiados do Sudão do Sul, alerta agência da ONU

Pelo menos 32 mil pessoas já fugiram para países vizinhos. Principal destino é Uganda, onde fluxo diário de chegada já é de 2,5 mil sul-sudaneses. Nações Unidas continuam enviando aviões com ajuda humanitária.

Família se abriga em base da ONU em Juba, Sudão do Sul. Foto: ACNUR/K. McKinsey

Com os combates entre forças do governo e oposição se espalhando pelo Sudão do Sul, mais e mais pessoas estão fugindo para países vizinhos. Já são pelo menos 32 mil refugiados desde o início dos confrontos em 15 de dezembro, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) nesta terça-feira (7).

para Uganda o fluxo diário já é de 2,5 mil pessoas. Até a última segunda-feira, 23.546 sul-sudaneses haviam chegado ao país.

A porta-voz do ACNUR Melissa Fleming explicou que as novas chegadas de sul-sudaneses a Uganda acontecem em um momento em que o escritório da agência no país tem que lidar com o fluxo contínuo de entrada de refugiados da República Democrática do Congo.

“Ainda temos 8 mil novas chegadas de congoleses em três centros de recepção na parte ocidental de Uganda, então nossa equipe e nossos suprimentos estão no máximo da capacidade”, afirmou. Etiópia e Quênia também estão recebendo sul-sudaneses.

Dentro do Sudão do Sul, o ACNUR opera com uma equipe reduzida de 200 pessoas por causa dos conflitos e da insegurança em grande parte do país, mas continua fornecendo serviços a cerca de 230 mil refugiados em dez campos pelo país.

A porta-voz também relatou que o ACNUR está se responsabilizando de forma crescente pelos 57 mil civis abrigados em dez complexos da ONU.

O ACNUR e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) distribuíram juntos rações alimentares aos refugiados para 45 dias, em vez dos 30 dias que são padrão, para que possam se alimentar caso os serviços sejam interrompidos.

Voos fretados pelo ACNUR continuam chegando ao país com milhares de cobertores, utensílios de cozinha, lonas plásticas e barracas para os deslocados.

Os confrontos no Sudão do Sul foram retomados em 15 de dezembro, quando o presidente, Salva Kiir, afirmou que soldados leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, destituído do cargo em julho, tentaram aplicar um golpe de Estado. Desde então, a violência tem se caracterizado cada vez mais como perseguição étnica, já que Kiir é do grupo Dinka e Machar, do Lou Nuer.

As Nações Unidas estão atuando na frente política e de manutenção da paz para auxiliar o país a acabar com os embates que têm resultado em diversas violações dos direitos humanos, incluindo execuções extrajudiciais de civis e soldados capturados.

O Conselho de Segurança autorizou o aumento do contingente de força de paz para quase 14 mil homens e mulheres, aproximadamente o dobro do previsto no mandato. Em negociação com países contribuintes e com governos africanos onde missões estão em andamento, a ONU está deslocando temporariamente militares e policiais para reforçar a segurança no Sudão do Sul.