COVID-19: OPAS pede que países das Américas reforcem rastreamento de contatos e sistemas de dados

Como os casos de COVID-19 mais do que dobraram na região das Américas nas últimas semanas, reforçar o rastreamento de contatos e a gestão de dados é essencial à medida que muitos países retomam suas atividades. O número de novas infecções por COVID-19 notificadas nas Américas mais que dobrou, passando de 5,3 milhões em 1º de julho para mais de 12 milhões de casos hoje.

Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) tornou obrigatório o uso de máscaras nas ruas por conta da pandemia. Foto: EBC/Tomaz Silva

Prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) tornou obrigatório o uso de máscaras nas ruas por conta da pandemia. Foto: EBC/Tomaz Silva

Como os casos de COVID-19 mais do que dobraram na região das Américas nas últimas semanas, reforçar o rastreamento de contatos e a gestão de dados é essencial à medida que muitos países retomam suas atividades. O número de novas infecções por COVID-19 notificadas nas Américas mais que dobrou, passando de 5,3 milhões em 1º de julho para mais de 12 milhões de casos hoje.

“A atenção primária à saúde deve estar no centro da resposta: identificar casos, agir para conter a transmissão e fornecer atendimento oportuno à comunidade”, disse a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, durante entrevista coletiva na terça-feira (25). “As autoridades de saúde locais têm um papel central na geração e análise de dados para adequar as medidas de saúde pública à realidade de cada área.”

Observando que nas últimas seis semanas as mortes na região dobraram, Etienne lembrou que “não podemos interromper toda a transmissão, mas que se os países permanecerem vigilantes e expandirem os testes e vigilância, podem identificar melhor os picos de casos e agir rapidamente para contê-los antes que fiquem fora de controle”.

Apesar do aumento nos casos, os países gradualmente afrouxaram as restrições, retomaram o comércio e alguns estão se preparando para voltar às aulas. “Em muitos lugares, parece haver uma desconexão entre as políticas que estão sendo implementadas e o que as curvas epidemiológicas nos mostram. Isto não é um bom sinal. Desejar que o vírus desapareça não funcionará, apenas levará a mais casos, como vimos nas últimas seis semanas”, disse Etienne.

“Hoje temos boas ferramentas: dados que mostram onde estão os pontos críticos, protocolos de rastreamento de contatos para desacelerar a transmissão e medidas de saúde pública que podem reduzir o risco de exposição. Teremos ferramentas ainda melhores no futuro: testes aprimorados, tratamentos mais eficazes e até vacinas. Os governos nacionais e locais precisam ser estratégicos sobre como usar essas ferramentas – antigas e novas – para alcançar o impacto desejado”, frisou a diretora da OPAS.

Incidência de COVID-19 em pessoas mais jovens

Dados de todas as Américas mostram que a maioria dos casos é notificada entre pessoas de 20 a 59 anos de idade, mas quase 70% das mortes são notificadas em pessoas com mais de 60 anos.

“Isso indica que os jovens são os principais responsáveis pela propagação da doença em nossa região. Muitos jovens que contraem o vírus podem não ficar doentes ou precisar de um leito na UTI, mas podem transmiti-lo a outros que podem precisar. Este é um forte lembrete de que derrotar a COVID-19 é uma responsabilidade compartilhada – não apenas entre países e regiões, mas entre pessoas, vizinhos e comunidades. Se você não tomar as medidas certas para se manter seguro, colocará outras pessoas em perigo”, alertou Etienne.

Preocupações e sinais encorajadores

A diretora da OPAS disse estar preocupada com novas infecções no Caribe à medida que os países abrem suas fronteiras. Embora as ilhas caribenhas tenham evitado grandes surtos graças à forte determinação política e uma combinação inteligente de medidas de saúde pública, “agora que as viagens aéreas não essenciais estão sendo retomadas na região, vários países estão notificando picos de casos”.

Há duas semanas, as Bahamas observaram um aumento de 60% em comparação com a semana anterior, enquanto Sint Maarten, Trinidad e Tobago e as Ilhas Virgens dos EUA registraram um aumento de 25%.

“Isso não é motivado apenas pelo turismo, mas também pelos cidadãos que voltaram para casa após o bloqueio. Sabemos que os países que dependem do turismo não podem ficar fechados indefinidamente, mas na hora de reabrir devem usar todos os recursos disponíveis para reduzir o risco para sua população”, afirmou Etienne. Ela disse que os sinais encorajadores nos dados de alguns países mostram que os países têm as ferramentas para reduzir a propagação da COVID-19 e salvar vidas.

Segundo a diretora da OPAS, “uma das estratégias mais eficazes que temos é o rastreamento de contatos”, como mostrado no trabalho para interromper a cadeia de transmissão, usado para rastrear todos os novos casos e limitar a propagação do vírus na Dominica, Bahamas, Argentina, Guatemala e Suriname. “Isso lhes deu tempo para preparar seus sistemas para este momento e construir a capacidade necessária para identificar casos e rastrear pessoas que podem ter sido expostas”, explicou.

Etienne citou outros exemplos de como as estratégias certas podem achatar a curva da pandemia. “Até junho, as infecções no Chile estavam aumentando rapidamente. As autoridades nacionais analisaram os dados e adaptaram sua abordagem, expandindo drasticamente os testes, isolando casos e implantando ordens de permanência em casa nas áreas mais afetadas. Funcionou. Há seis semanas, o Chile tem visto a COVID-19 perder força e está notificando menos casos”.

A Costa Rica teve baixa transmissão quando implementou as ordens de permanência em casa e usou a oportunidade para se preparar, expandindo os testes e a capacidade do hospital. “Embora haja novos casos agora, os serviços de saúde estão lidando bem. Esses exemplos provam que, se empregarmos abordagens baseadas em evidências, podemos eventualmente superar essa crise, mesmo em lugares onde os casos estão aumentando”, afirmou Etienne.

“Esse vírus vai ficar conosco por um tempo. Sem vacina, ele permanecerá conosco por anos. Esta não será uma luta que venceremos uma vez – mas que durará várias rodadas. É por isso que precisamos aplicar as lições de lugares que controlaram o vírus e deixar os dados guiarem nossas ações”, disse Etienne.