COVID-19: OMS diz que há ‘longo caminho a percorrer’ e complacência é maior perigo

O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou contra a complacência, à medida que os países continuam a enfrentar a COVID-19 e os cidadãos se cansam de medidas restritivas de movimento com o objetivo de impedir a propagação da doença.

Falando na quarta-feira (22), o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, relatou que a maioria dos países ainda está nos estágios iniciais de suas epidemias, enquanto alguns que foram afetados anteriormente estão agora começando a ter ressurgimento de casos.

“Não se engane: temos um longo caminho a percorrer. Esse vírus estará conosco por muito tempo”, afirmou.

Pedestre caminha pela Piazza Del Duomo, em Florença, um espaço normalmente lotado de milhares de visitantes. Foto: UNICEF/Francesco Spighi

Pedestre caminha pela Piazza Del Duomo, em Florença, um espaço normalmente lotado de milhares de visitantes. Foto: UNICEF/Francesco Spighi

O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou contra a complacência, à medida que os países continuam a enfrentar a COVID-19 e os cidadãos se cansam de medidas restritivas de movimento com o objetivo de impedir a propagação da doença.

Falando na quarta-feira (22), o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, relatou que a maioria dos países ainda está nos estágios iniciais de suas epidemias, enquanto alguns que foram afetados anteriormente estão agora começando a ter ressurgimento de casos.

“Não se engane: temos um longo caminho a percorrer. Esse vírus estará conosco por muito tempo”, afirmou.

O número global de casos de COVID-19 atingiu quase 2,5 milhões e mais de 160 mil mortes.

Embora a maioria das epidemias na Europa Ocidental pareça estável ou em declínio, “tendências preocupantes de alta” são visíveis em África, América Central, América do Sul e Europa Oriental, apesar do baixo número de casos.

Tedros disse a jornalistas que, embora os bloqueios e o distanciamento físico tenham ajudado a suprimir a transmissão em muitos países, o vírus permanece “extremamente perigoso”.

A maioria da população global continua altamente suscetível, o que significa que as epidemias podem facilmente reacender.

Cansado de ficar em casa

“Um dos maiores perigos que enfrentamos agora é a complacência. Pessoas em países com pedidos de isolamento em casa estão compreensivelmente frustradas por ficarem confinadas em suas residências por semanas a fio”, disse ele.

“As pessoas compreensivelmente querem seguir com suas vidas, porque suas vidas e meios de subsistência estão em jogo. É isso que a OMS também quer. E é para isso que estamos trabalhando, o dia todo, todos os dias.”

No entanto, Tedros disse que seguir em frente significa aceitar “um novo normal” e criar um mundo mais saudável, seguro e mais bem preparado.

Ele sublinhou as seis medidas de saúde pública que a OMS vem advogando desde o início da pandemia, centrada em detecção, isolamento, testes, tratamento e quarentena.

O último passo envolve educar e capacitar o público.

“Os países que não fizerem essas seis coisas centrais, ou não as fizerem de maneira consistente, verão mais casos e mais vidas serão perdidas”, disse Tedros.

Iniciativa de envio de mensagens

As empresas de telecomunicações em todo o mundo estão sendo incentivadas a apoiar uma iniciativa da OMS de fornecer informações sobre a COVID-19 por meio de mensagens de texto, em ação anunciada no início desta semana em conjunto com a União Internacional de Telecomunicações (UIT).

O objetivo é ajudar a atingir a metade da população global que não tem acesso à Internet, começando na região Ásia-Pacífico antes de uma implantação global.

“Também fizemos um pedido à Organização Mundial do Comércio, pedindo aos países que garantam o fluxo normal de suprimentos médicos vitais e outros bens e serviços além-fronteiras e resolvam interrupções desnecessárias nas cadeias de suprimentos globais”, informou Tedros.

“Precisamos garantir que esses produtos cheguem rapidamente aos necessitados e enfatizamos a importância da cooperação regulamentar e dos padrões internacionais.”

Solidariedade, não estigma

Além de combater a nova doença do coronavírus, a OMS também está trabalhando para acabar com o estigma e a discriminação.

Houve “relatos perturbadores” sobre a discriminação relativa à COVID-19 em muitos países e em todas as regiões, de acordo com Tedros.

“O estigma e a discriminação nunca são aceitáveis ​​em nenhum lugar e a qualquer momento, e devem ser combatidos em todos os países”, disse ele, acrescentando: “como já disse muitas vezes, é um momento de solidariedade, não de estigma”.

Impactos na saúde mental

A agência da ONU também tem abordado o impacto da pandemia na saúde mental.

A OMS produziu orientação técnica para indivíduos e profissionais de saúde, que estão sob enorme tensão no momento.

Enquanto isso, um livro infantil gratuito em inglês sobre a COVID-19, lançado recentemente pela agência, está sendo usado entre crianças refugiadas rohingya em Bangladesh e crianças na Síria, Iêmen, Iraque, Grécia e Nigéria.

A OMS também recebeu pedidos para traduzir o livro em mais de 100 idiomas.

O livro “Meu herói é você: como as crianças podem lutar contra a COVID-19”, usa uma criatura de fantasia chamada Ario, que explica como as crianças podem não apenas se proteger da doença, mas também gerenciar emoções difíceis que podem surgir como resultado da pandemia.