COVID-19: não estamos vendo aumento dramático da transmissão fora da China, diz OMS

Passageiros com máscaras e roupas de proteção descartáveis ​​recebem seus passaportes no Aeroporto Internacional Don Mueang, em Bangcoc, Tailândia. Foto: ONU/Jing Zhang

Enquanto as infecções por coronavírus COVID-19 continuam aumentando, um especialista em saúde da ONU disse nesta quinta-feira (13) que havia algumas indicações de que a transmissão da doença fora da China pode não ser a ponta de um “iceberg”, como se temia.

“Não estamos vendo um aumento dramático na transmissão fora da China”, disse Michael Ryan, chefe do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), insistindo, no entanto, que é preciso cautela.

Às 16h de quinta-feira em Genebra (10h de Brasília), havia 46.550 infecções por COVID-19, a esmagadora maioria na China, informou a OMS. Das 1.369 mortes pelo novo coronavírus até hoje, todas, exceto duas, ocorreram na China. Na província de Hubei, epicentro do surto, 13.332 casos foram confirmados clinicamente.

Fora da China, houve 447 casos de 24 outros países e duas mortes; uma nas Filipinas e outra no Japão. O maior grupo de pessoas infectadas fora da China está no navio Diamond Princess, que está em quarentena no porto de Yokohama, no Japão. Até o momento, 218 passageiros a bordo testaram positivo para o COVID-19, disse Ryan.

Há temores de que outros navios de cruzeiro na China Meridional possam ter passageiros infectados pelo vírus.

Em entrevista a jornalistas, Ryan explicou que os testes de inverno rotineiros em pacientes com dores no peito em hospitais de China, Cingapura e Hong Kong não indicaram transmissão generalizada do COVID-19.

“Nas salas de emergência e como parte da vigilância normal das doenças respiratórias no inverno, eles estão testando ativamente milhares de amostras que não são casos suspeitos de COVID”, disse ele.

No entanto, temores de que apenas uma fração dos casos esteja sendo detectada eram “tão válidos quanto as especulações na outra direção”, insistiu Ryan, antes de acrescentar que não existiam tratamentos específicos para os pacientes, além dos “antivirais padrão” usados ​​em surtos anteriores de coronavírus, como na epidemia de SARS em 2003.

Vacinas e novos medicamentos levarão muito tempo e exigirão um enorme investimento de centenas de milhões de dólares, explicou Ryan, pedindo investimentos públicos e privados frente ao surto.

Aumento das infecções é explicado por adoção de nova metodologia

Ryan disse que os dados mais recentes mostrando um salto nas infecções refletem uma mudança na maneira como os casos estão sendo diagnosticados e relatados pelas autoridades chinesas.

A partir de agora, apenas na província de Hubei, profissionais médicos treinados estão autorizados a classificar um caso suspeito de COVID-19 como um caso clinicamente diagnosticado com base em imagens do tórax, em vez de precisar de uma confirmação laboratorial, disse a autoridade da OMS.

“Isso permite que os médicos avancem e relatem casos mais rapidamente, sem ter que esperar pela confirmação do laboratório, o que significa que as pessoas recebem atendimento clínico mais rapidamente e também permite respostas de saúde pública em termos de rastreamento de contatos e outras medidas importantes de saúde pública a serem iniciadas.”