COVID-19: FAO desaconselha corrida aos supermercados

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) desaconselha a corrida aos supermercados durante a pandemia da COVID-19. De acordo com a diretora da FAO em Nova Iorque, Carla Mucavi, pesquisas da ONU mostram que ainda não existem rupturas nos bens essenciais e a situação deve permanecer assim nas próximas semanas.

No entanto, para evitar uma crise nos próximos meses, é preciso que os governos garantam acesso aos alimentos, sobretudo, para as populações vulneráveis.

Prateleiras de supermercado em Nova Iorque. Foto: Beatriz Barral/ONU

Prateleiras de supermercado em Nova Iorque. Foto: Beatriz Barral/ONU

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) desaconselha a corrida aos supermercados durante a pandemia da COVID-19. De acordo com a diretora da FAO em Nova Iorque, Carla Mucavi, pesquisas da ONU mostram que ainda não existem rupturas nos bens essenciais e a situação deve permanecer assim nas próximas semanas. “Olhando para o mercado global, há cereais e produtos básicos suficientes para garantir o abastecimento dos mercados. Mas sabemos que esta pandemia não termina hoje e está acelerando. É provável que em abril, talvez maio, começemos a sentir impacto no abastecimento dos mercados. Mas, neste momento, tudo indica que a situação está controlada”, explicou a diretora.

A diretora da FAO reforçou também a importância de as pessoas agirem com responsabilidade: “Estocando alimentos impedimos que outros tenham acesso a esses mesmos alimentos. É claro que, com as restrições as pessoas não se sentem seguras em ir ao mercado todos os dias e preferem ter algum abastecimento doméstico que as impeçam de ter de sair e se expor. Mas, não há necessidade de uma corrida aos mercados”.

Medidas estão sendo tomadas globalmente para que o estabelecimento de alimentos siga estável. Mas, nos próximos meses, a pandemia poderá impactar a cadeia de abastecimento de alimentos a nível mundial. “A cadeia de abastecimento é uma rede extremamente complexa, que envolve vários atores e processos, desde a produção ao processamento, armazenamento e transporte. Todos serão atingidos pelas medidas de combate ao COVID-19”, explicou a diretora da FAO.

“Quando a gente fala da restrição e não movimentação de pessoas e bens, restrição de transporte, encerramento de fronteiras, falamos do encerramento de várias atividades comerciais. Pessoas que estão perdendo emprego e ficam com menos renda e, portanto, com menos acesso a alimentos, já que não os podem comprar. É um conjunto de fatores que vai determinar esta interferência no mercado”, complementou a diretora.

O fim do movimento de trabalhadores sazonais que viajam de uma região para outra, por exemplo, pode levar à queda da produção. Os mercados que foram fechados, por outro lado, impedem que pequenos agricultores vendam seus produtos.

Para evitar uma crise nos próximos meses, é preciso que os governos garantam acesso aos alimentos, sobretudo, para as populações vulneráveis.

“Temos populações que estão em situação de crise humanitária. Mas também é preciso, por exemplo, que se limite a restrição nas taxas de importação de alimentos. Estamos falando da restrição dos transportes e da circulação. Os governos começaram a impor taxas elevadas de importação, e isso vai contribuir para a escassez de alimentos nos mercados. Tem de haver um avanço nas negociações entre o mercado e o comércio. As medidas econômicas poderão trazer uma certa estabilidade”, concluiu a diretora da FAO.