COVID-19: é necessário agir agora ou arriscar ‘devastação inimaginável’, diz chefe da ONU

A menos que países do mundo ajam juntos agora, a pandemia de COVID-19 causará “devastação e sofrimento inimagináveis ​​em todo o mundo”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta quinta-feira (28), em uma reunião virtual de alto nível sobre financiamento para o desenvolvimento.

Observando que as consequências econômicas da pandemia ameaçam uma onda de inadimplência nos países em desenvolvimento, prejudicando o esforço para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, o chefe da ONU pediu “soluções duráveis ​​para as dívidas, de forma a criar espaço para investimentos em recuperação e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”.

Os programas de assistência alimentar no Chade promovem agricultura sustentável e fortalecem a renda e os meios de subsistência. Foto: WFP/Giulio D'Adamo

Os programas de assistência alimentar no Chade promovem agricultura sustentável e fortalecem a renda e os meios de subsistência. Foto: WFP/Giulio D’Adamo

A menos que países do mundo ajam juntos agora, a pandemia de COVID-19 causará “devastação e sofrimento inimagináveis ​​em todo o mundo”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta quinta-feira (28), em uma reunião virtual de alto nível sobre financiamento para o desenvolvimento.

Lembrando que 60 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza extrema; a fome atinge “proporções históricas”; cerca de 1,6 bilhão de pessoas ficaram sem meios de subsistência; e houve uma perda de 8,5 trilhões de dólares na produção global – a maior contração desde a Grande Depressão da década de 1930 -, ele pediu uma resposta com “unidade e solidariedade”.

“Estamos solicitando ações coletivas imediatas em seis áreas de importância crítica”, disse Guterres no evento online para alavancar mais fundos para o desenvolvimento sustentável.

Começando com a crise de liquidez global, ele disse que é ali que as crises econômicas e de saúde se encontram. “Um nexo perigoso que poderá se prolongar e aprofundar as duas (crises)”, exigindo a extensão dos Direitos especiais de saque (Special Drawing Rights) para complementar as reservas de gastos públicos.

Os Direitos especiais de saque são um ativo de reserva internacional, criado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1969 para complementar as reservas oficiais de seus países-membros.

Observando que as consequências econômicas da pandemia ameaçam uma onda de inadimplência nos países em desenvolvimento, prejudicando os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, o chefe da ONU pediu “soluções duráveis ​​para dívidas, para criar espaço para investimentos em recuperação e nos ODS”.

Em seguida, ele pediu aos credores privados que detêm uma parcela crescente da dívida soberana dos países em desenvolvimento a encontrar incentivos para encorajar mais credores a fornecer alívio da dívida.

Guterres chamou a atenção para o financiamento externo, dizendo que alinhar os incentivos nos sistemas financeiros globais com os ODS aumentaria a confiança “para relançar o investimento no desenvolvimento sustentável”.

Voltando-se ao fluxo financeiro ilícito, como sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, que priva os países em desenvolvimento de centenas de bilhões de dólares por ano, ele disse que “precisamos tapar os vazamentos” revisando os sistemas nacionais e as estruturas internacionais.

O chefe da ONU enfatizou ainda a necessidade abrangente de “se recuperar melhor” dos estragos da pandemia de coronavírus.

Mantenha o curso do desenvolvimento

A COVID-19 expôs e está exacerbando profundas desigualdades e injustiças que precisam ser combatidas, inclusive para mulheres que, frequentemente com menos economias e rendas mais baixas, sofrem impactos econômicos piores que os homens.

“Todos os nossos esforços devem ir para a construção de caminhos sustentáveis ​​e resilientes que nos permitam não apenas vencer a COVID-19, mas enfrentar a crise climática, reduzir a desigualdade e erradicar a pobreza e a fome”, destacou o chefe da ONU.

Ele defendeu que devemos enfrentar esses desafios e perigos com “toda urgência, seriedade e responsabilidade”.

“Passar pela COVID-19 e se recuperar melhor custará dinheiro. Mas a alternativa custará muito mais”, concluiu o secretário-geral da ONU. “Esta é uma crise global, e cabe a todos nós resolvê-la”.

Nova arquitetura financeira

Mesmo antes da COVID-19, as restrições financeiras colocavam desafios para os países em desenvolvimento cumprirem os ODS. Hoje, choques econômicos e financeiros desencadeados pelo coronavírus deixaram muitos com dificuldades para responder à pandemia e suas consequências sociais e econômicas.

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Tijjani Muhammad-Bande, sustentou que, para alcançar os ODSs até 2030, “precisamos repensar nossos sistemas econômicos”, exigindo “liderança, vontade política e esforços de colaboração entre uma ampla variedade de atores para proteger o futuro de gerações vindouras”.

Ele destacou a necessidade de mobilizar recursos financeiros públicos, privados e externos, tanto para recuperação rápida quanto para progresso a longo prazo na consecução da Agenda 2030.

Observando que muitos países em desenvolvimento estão financeiramente mal equipados para interromper a disseminação da COVID-19, bem como suas consequências sociais e econômicas, o presidente da Assembleia Geral afirmou que “propostas concretas e ações oportunas” eram necessárias para impedir que esses países promovam “calotes desordenados”.

“Agora é a hora de revisar a arquitetura financeira internacional”, disse ele, argumentando que os planos devem “não apenas abordar a atual escassez de liquidez, mas também fornecer soluções duráveis ​​que criem espaço fiscal vital para investimentos em desenvolvimento sustentável para os países necessitados”.

Muhammad-Bande enfatizou que a COVID-19 e suas consequências econômicas e sociais relacionadas não podem ser abordadas sozinhas, mas integradas a discussões mais amplas sobre financiamento para o desenvolvimento sustentável. “As Nações Unidas nos fornecem um fórum para reunir todos atores e comunidades políticas especializadas para enfrentar esses desafios”, lembrou.

Mundo interconectado

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, chamou a pandemia de “um lembrete gritante” de como nosso mundo se interconectou, explicando que “para manter nossos cidadãos seguros e saudáveis, precisamos derrotar a COVID-19 onde quer que esteja”.

Isso requer um plano global coordenado que também facilite a recuperação das economias global e domésticas.

Empregos e negócios em todos os países dependem da “saúde e da estabilidade das economias em outros lugares” – tudo isso depende do sucesso da economia global em enfrentar esta tempestade, disse o co-organizador da cúpula de alto nível.

“A COVID-19 é um desafio sem precedentes para o mundo moderno, mas também uma oportunidade única para construir um futuro melhor, criar um mundo seguro e próspero”, acrescentou.

Andrew Holness, primeiro-ministro da Jamaica, chamou a pandemia de “um alerta” para a comunidade internacional revigorar um sistema abrangente de governança econômica global “que possa lidar com as perturbações globais e promover o desenvolvimento inclusivo”.

Ele disse que um grande desafio para o sistema financeiro internacional era canalizar os fluxos de crédito público e privado para fluxos de capital de desenvolvimento, produtivos e inclusivos.

“Os fluxos de trabalho sobre liquidez global e estabilidade financeira, bem como vulnerabilidade da dívida, devem informar nossa resposta às dimensões financeiras dessa crise”, endossou o primeiro-ministro jamaicano.