COVID-19 afeta serviços de saúde para doenças crônicas não transmissíveis nas Américas

Os serviços de prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) estão sendo seriamente afetados desde o início da pandemia da COVID-19 na região das Américas, revela pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

A pesquisa, respondida por 158 países, confirmou que o impacto é global e que a interrupção dos serviços de saúde de rotina constitui uma ameaça à saúde das pessoas que vivem com doenças crônicas.

Foto: OPAS/OMS

Os serviços de prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) estão sendo seriamente afetados desde o início da pandemia da COVID-19 na região das Américas, revela pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

A pesquisa virtual foi respondida por 158 países, sendo 28 deles Estados-membros da OPAS, durante um período de quatro semanas no mês de maio e confirmou que o impacto é global e que a interrupção dos serviços de saúde de rotina constitui uma ameaça à saúde das pessoas que vivem com doenças crônicas.

“A situação é muito preocupante porque coloca as pessoas que vivem com DCNTs com maior risco de ficarem seriamente doentes se forem infectadas com COVID-19 e morrerem”, disse o diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS, Anselm Hennis, durante coletiva de imprensa organizada pela ENT Alliance, a Healthy Latin America Coalition e Mexico Salud-Hable.

Desde o início da pandemia, os serviços de saúde de rotina foram reorganizados ou descontinuados e muitos pararam de prestar assistência a pessoas em tratamento de doenças como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. Além disso, muitos profissionais de saúde que costumam prestar esse atendimento foram redirecionados para a resposta à COVID-19.

“O tratamento e o atendimento a essas pessoas precisam continuar. Os países devem buscar formas inovadoras para garantir sua continuidade e também enfrentar a COVID-19”, afirmou o diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS.

Antes do novo coronavírus, 81% de todas as mortes nas Américas ocorreram em razão de DCNTs. Estima-se que 62 milhões de pessoas vivem com diabetes e 1,2 milhão de pessoas com câncer na América Latina e no Caribe. Além disso, uma em cada quatro pessoas que vivem com doenças crônicas na região correm um maior risco de ficar gravemente doente e morrer por COVID-19.

Ao fim de maio, a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne, alertou que a falta de atendimento às DCNTs durante a pandemia poderia trazer “uma epidemia paralela de mortes evitáveis”.

Acesso limitado aos serviços

Os serviços ambulatoriais de saúde foram parcialmente interrompidos em 18 países pesquisados ​​(64%); dois interromperam completamente e em sete países (25%) eles permaneceram abertos. Essas interrupções afetaram todos os tipos de atendimento às pessoas com doenças crônicas, mas ainda mais no caso de serviços para diabetes, hipertensão, atendimento odontológico e reabilitação.

Os principais motivos citados para a interrupção dos serviços são: o cancelamento dos serviços de atendimento eletivo (58%, 14/24); equipe clínica transferida para a resposta à COVID (50%, 12/24); e pacientes que não comparecem (50%, 12/24).

Transferência de pessoal

Na maioria (89%) dos países das Américas que responderam à pesquisa, funcionários de Ministérios da Saúde que trabalham com DCNTs foram parcial ou totalmente transferidos para apoiar a resposta à COVID-19.

O adiamento de programas públicos de triagem (para câncer de mama e de colo do útero, por exemplo) também foi generalizado, conforme indicado por 43% dos países. Isso está de acordo com as recomendações iniciais da OMS para minimizar os cuidados não urgentes nas unidades de saúde e combater a pandemia.

No entanto, os motivos mais comuns para interromper ou reduzir os serviços foram o cancelamento dos tratamentos planejados, a diminuição do transporte público disponível, o medo da população de ir aos centros de atendimento e a falta de pessoal devido ao fato de trabalhadores da saúde terem sido realocado para suportar serviços de resposta à COVID-19. Além disso, alguns países sofreram interrupções nas cadeias de suprimentos, além de desafios na distribuição de medicamentos e produtos de saúde, os quais afetaram o acesso dos pacientes.

Estratégias alternativas para continuidade da atenção

O estudo concluiu que estratégias alternativas foram estabelecidas na maioria dos países para permitir que as pessoas mais vulneráveis ​​continuem recebendo tratamento para DCNTs.

Entre os países que relataram interrupções de serviços, 61% estão atualmente usando telemedicina (aconselhamento por telefone ou eletronicamente) para substituir as consultas presenciais; 70% disseram que usaram a triagem para determinar as prioridades de atendimento; 57% adotaram uma nova dispensação de medicamentos e 52% redirecionaram os pacientes para ambientes de cuidados alternativos.

“É provável que as interrupções tenham impacto nos resultados de saúde para essas populações vulneráveis”, disse o diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS, pedindo “mais esforços para garantir que as doenças crônicas sejam incluídas nos planos nacionais de resposta à COVID-19 e para garantir métodos seguros no atendimento clínico essencial às pessoas durante a pandemia”.

Clique aqui para ter acesso aos resultados da pesquisa.