Costa do Marfim precisa de reconciliação nacional e reforma na segurança antes de eleições em 2015

Chefe da missão da ONU no país disse que paz e estabilidade estão progredindo, mas ainda há relatos de violência entre comunidades e etnias e crime organizado.

Chefe da UNOCI se comunica com o Conselho de Segurança da ONU por videoconferência. Foto: ONU /JC McIlwaine

Chefe da UNOCI se comunica com o Conselho de Segurança da ONU por videoconferência. Foto: ONU /JC McIlwaine

A Costa do Marfim está progredindo em direção à paz e estabilidade, mas com a aproximação das eleições presidenciais em 2015, algumas medidas devem ser tomadas para reformar o setor de segurança e garantir a reconciliação nacional, disse a chefe da Operação da ONU no país (UNOCI), Aichatou Mindaoudou, na segunda-feira (27), ao Conselho de Segurança da Organização.

Segundo ela, a estabilidade e a segurança da Costa do Marfim permanecem frágeis. Incidentes violentos entre comunidades e etnias, assalto à mão armada e crime organizado permanecem desafios para a realização de eleições pacíficas.

Em 2010, após as eleições presidenciais, o então presidente Laurent Gbagbo se recusou a deixar o cargo para Alassane Ouattara. A votação, que deveria selar o processo de paz entre governo e rebeldes depois de oito anos de guerra civil, resultou em meses de violência, até Gbagbo se render.

Desde então, a ONU tem incentivado todos os atores políticos da Costa do Marfim a firmarem um diálogo político inclusivo. Porém, Mindaoudou expressou preocupação com o “ressurgimento recente do discurso do ódio em alguns meios de comunicação”, um dos fatores que culminou na crise de 2010.

Ela observou a necessidade de promover “uma cultura de respeito aos direitos humanos”, em especial através do julgamento de criminosos, e ressaltou o diálogo positivo entre o governo e 11 grupos da oposição, além das reformas institucionais para reforçar a inclusão política e resolver as causas da crise no país.