Cortes no financiamento fragilizam assistência da ONU a estudantes palestinos

Para os alunos das escolas que são financias pela Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), a incerteza quanto ao futuro se tornou uma preocupação constante, afirmou neste mês (4) o diretor de Operações do organismo internacional em Gaza, Matthias Schmale.

A instituição enfrentou uma crise financeira sem precedentes em 2018, remediada com contribuições de doadores. Mas para 2019, não há garantias de que a precariedade orçamentária vá melhorar.

Estudantes das escolas de Ar Rimal e A-Zeitoun em entrevista à ONU. Foto: UNRWA/Khalil Adwan

Estudantes das escolas de Ar Rimal e A-Zeitoun em entrevista à ONU. Foto: UNRWA/Khalil Adwan

Para os alunos das escolas que são financias pela Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), a incerteza quanto ao futuro se tornou uma preocupação constante, afirmou neste mês (4) o diretor de Operações do organismo internacional em Gaza, Matthias Schmale. A instituição enfrentou uma crise financeira sem precedentes em 2018, remediada com contribuições de doadores. Mas para 2019, não há garantias de que a precariedade orçamentária vá melhorar.

No início do ano passado, os Estados Unidos anunciaram que iriam retirar seu financiamento da UNRWA, o que levou a um corte de cerca de 300 milhões de dólares nos recursos da agência. Foi a maior redução de financiamento já registrada na história da entidade. O rombo nas contas ameaçou o fornecimento de serviços essenciais para refugiados palestinos, incluindo mais de 500 mil estudantes.

Após longas férias de verão e o recebimento de doações, a UNWRA conseguiu reabrir seus colégios em setembro do ano passado. A agência mantém 711 centros de ensino na Cisjordânia — incluindo Jerusalém Oriental —, Gaza, Jordânia, Líbano e Síria. Mas o organismo teve de tomar algumas decisões difíceis, que tiveram impacto direto na vida cotidiana dos alunos.

A repórter da ONU News, Reem Abaza, esteve recentemente em Gaza, onde visitou a escola de meninas Ar Rimal. No ano passado, o local foi palco do lançamento da campanha global da UNRWA Dignity is Priceless (A Dignidade Não Tem Preço, em tradução livre para o português), para angariar doações de governos, instituições e cidadãos. A estratégia visava obter recursos para suprir principalmente as necessidades de saúde e educação — e garantir que os colégios reabrissem após o verão do Hemisfério Norte.

“Durante as férias de verão, nós normalmente nos sentimos felizes e aproveitamos nosso tempo (livre), mas da última vez, ficamos com medo, perguntando-nos se a UNRWA poderia fechar ou se não seríamos capazes de ir para a escola”, conta Raghd, estudante do sexto ano.

Hada, de 14 anos, lembra que quando as aulas voltaram, “todo mundo estava muito ansioso”. Quando ela e as colegas “bateram na porta da assistente social, pedindo apoio, elas foram lembradas de que ela (a assistente) não estava mais lá”, acrescenta a menina.

Em várias escolas, a vaga de assistente social foi fechada devido a restrições financeiras.

“A escola está tentando o quanto pode ensinar-nos com um método de mãos na massa e, nos últimos anos, quando estudávamos química, costumávamos fazer experimentos. Eu tenho sonhos de ser algo grande no futuro, mas eu tenho que diminuir esses sonhos por causa da situação em que vivemos agora”, diz Eva, também com 14 anos.

As preocupações das jovens são as mesmas dos alunos da escola vizinha A-Zeitoun, para garotos.

Matthias Schmale afirma que “entende as preocupações dos estudantes muito claramente, mas a determinação deles também serve como uma fonte de inspiração”.

“Um momento bastante comovente, bem recentemente, foi quando uma menina chamou a Jenin, que é parte do nosso parlamento escolar aqui no norte de Gaza, veio até mim e disse que, em janeiro, quando lançamos a campanha ‘A Dignidade Não Tem Preço’, eu tinha lhe dado um broche da UNRWA”, recorda o profissional humanitário.

“Ela me disse que ‘nos momentos sombrios, quando não sabíamos se o ano escolar começaria a tempo’, ela olhava para esse broche e ele dava coragem para ela, esperança e otimismo. Aí ela me deu uma pequena pulseira preta e me pediu que olhasse para ela quando eu me sentisse inseguro.”

A UNRWA foi criada pela Assembleia Geral da ONU em 1949 para dar assistência e proteção a uma população de cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, registrados em vários países do Oriente Médio. Além de educação formal, o organismo oferece serviços sociais e de emergência, infraestrutura e reforma de acampamentos, cuidados médicos e assistência de urgência, conforme necessário.


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