Cortes de financiamento ameaçam ajuda humanitária para refugiados sírios e comunidades de acolhimento

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

A agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou nesta terça-feira (4) que apenas 9% do orçamento de 4,63 bilhões de dólares, solicitado para sírios fugindo da guerra, foi financiado. Em participação na Conferência de Bruxelas sobre o Apoio ao Futuro da Síria e da Região, dirigente criticou lentidão de Estados-membros para liberar verbas. Situação está ficando ‘desesperadora’ para refugiados e comunidades que os acolhem, alertou o alto-comissário.

Crianças refugiadas sírias brincando em um assentamento em Al Faida, no Vale de Bekaa, no Líbano. Foto: UNICEF/Vanda Kljajo

Crianças refugiadas sírias brincando em um assentamento em Al Faida, no Vale de Bekaa, no Líbano. Foto: UNICEF/Vanda Kljajo

A agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou nesta terça-feira (4) que apenas 9% do orçamento de 4,63 bilhões de dólares, solicitado para sírios fugindo da guerra, foi financiado. Em participação na Conferência de Bruxelas sobre o Apoio ao Futuro da Síria e da Região, dirigente criticou lentidão de Estados-membros para liberar verbas.

Até o momento, o plano anual de assistência a refugiados vivendo na região em torno da Síria recebeu somente 433 milhões de dólares.

“A situação está ficando desesperadora. Reconhecemos e parabenizamos as doações feitas até agora. Mas a verdade é que o financiamento não está de acordo com as necessidades”, destacou o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, sublinhando que os recursos são vitais para os refugiados e as comunidades de acolhimento da região.

O ACNUR e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) observaram que, sem financiamento adicional, todas as áreas de assistência serão reduzidas este ano. A ajuda sob a forma de alimentos ou renda será cortada até meados de 2017, desafiando a estabilidade e a segurança na região.

Segundo as agências, com a maioria dos refugiados sírios vivendo abaixo da linha da pobreza, as famílias possivelmente terão de tirar seus filhos da escola, aumentando o número já assombroso de 500 mil crianças fora do sistema educacional.

Além disso, o apoio aos meios de subsistência e aos programas de criação de emprego será diminuído, agravando o desemprego entre os refugiados e moradores das comunidade anfitriãs.

“A história é a mesma em toda a região. Os serviços de água e saneamento, os mercados de emprego e habitação estão todos sob tensão”, disse a administradora do PNUD, Helen Clark, também presente na Conferência.

Em seu sétimo ano, o conflito na Síria continua sendo o maior desafio humanitário do mundo, com 13,5 milhões de pessoas em necessidade de assistência urgente no país. No momento, há mais de 5 milhões de refugiados sírios vivendo no Egito, no Iraque, na Jordânia, no Líbano e na Turquia, e muitos mais fizeram a perigosa viagem à Europa.


Mais notícias de:

Comente

comentários