Corrupção movimenta trilhões de dólares e prejudica desenvolvimento global, diz Guterres

A cada ano, trilhões de dólares – o equivalente a mais de 5% da economia global – são pagos em propinas ou desviados por corrupção, relataram as Nações Unidas no domingo (9).

As Nações Unidas estão combatendo este crime, que afeta tanto países ricos quanto pobres, por meio de campanha global realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Outdoor detalha campanha de combate à corrupção na Namíbia. Foto: Banco Mundial/Philip Schuler

Outdoor detalha campanha de combate à corrupção na Namíbia. Foto: Banco Mundial/Philip Schuler

A cada ano, trilhões de dólares – o equivalente a mais de 5% da economia global – são pagos em propinas ou desviados por corrupção, informaram as Nações Unidas no domingo (9), dia internacional de combate a esse crime.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a corrupção como “uma agressão aos valores das Nações Unidas” em mensagem para o dia.

Ele afirmou que a corrupção “rouba da sociedade escolas, hospitais e outros serviços vitais, afasta investimentos estrangeiros e retira seus recursos naturais”.

Um trilhão de dólares é pago em propinas anualmente, enquanto outros 2,6 trilhões de dólares são roubados; todos por conta de corrupção.

As Nações Unidas estão combatendo este crime global, que afeta tanto países ricos quanto pobres, por meio de campanha global realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

A campanha reconhece a corrupção como um dos maiores impedimentos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos por todos os países do mundo em 2015 para o avanço da humanidade.

Nesse cenário, a campanha pede para comunidades usarem a logo anticorrupção durante eventos relacionados, e destacarem ações comunitárias ligadas à data em redes sociais por meio da hashtag #UnitedAgainstCorruption, marcando @UNDP e @UNODC.

Autoridades governamentais, da sociedade civil, do setor privado e defensores anticorrupção podem aderir à campanha “Call to Action Matrix”, que fornece recomendações para estratégias contra a corrupção.

Além disso, a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, adotada em 2003, é o único instrumento universal e legalmente vinculante contra a corrupção.

Sua abordagem de longo alcance cobre todo o espectro da corrupção e a maioria dos Estados-membros (186) faz parte da Convenção.

Guterres destacou a Convenção como uma ferramenta essencial para avançar a luta contra esse crime, e destacou os resultados positivos de sua implementação.

“Por meio do mecanismo de revisão por pares da Convenção, podemos trabalhar juntos para construir uma base de confiança e responsabilização”, afirmou o chefe da ONU.

O diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov, destacou que “graças à Convenção, quase todos os países do mundo possuem leis em vigor que tornam a corrupção um crime”.

“A comunidade internacional possui o entendimento de que o combate à corrupção é essencial para prevenir e combater causas profundas de conflito e de extremismo violento, na busca da construção da paz e na proteção aos direitos humanos.”

Ele também observou que o combate à corrupção é fundamental para combater o crime organizado, incluindo o tráfico de pessoas e o contrabando de migrantes.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) destaca a importância crucial do combate à corrupção para o desenvolvimento sustentável “sem não deixar ninguém para trás”.

“Por meio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável todos os países se comprometeram a reduzir a corrupção e o suborno, a fortalecer a recuperação e o retorno de ativos e a desenvolver instituições eficazes, inclusivas e transparentes”, disse Fedotov.

Como guardião da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, o UNODC trabalha com governos, setor privado, sociedade civil, organizações esportivas, educadores e cidadãos para rejeitar a corrupção, promover a integridade e alcançar os ODS.

“Unidos contra a corrupção podemos promover uma cultura de legalidade, ajudar a criar instituições responsáveis e transparentes e permitir que as pessoas em todos os lugares tenham acesso a oportunidades e tenham uma vida saudável e produtiva”, disse Fedotov.


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