Corrupção custa US$ 2,6 trilhões e afeta desproporcionalmente ‘pobres e vulneráveis’

A corrupção está presente em todos os países, “ricos e pobres, ao norte e ao sul, desenvolvidos e em desenvolvimento”, declarou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao Conselho de Segurança, durante uma sessão sobre combate à corrupção pela paz e segurança internacionais.

Estimativas do Fórum Econômico Mundial apontam que a corrupção custa pelo menos 2,6 trilhões de dólares – cerca de 5% do produto interno bruto global.

O secretário-geral reconheceu que a população em todo o mundo continua a expressar indignação com seus líderes corruptos, observando o quão profundamente a corrupção está embutida nas sociedades: “Eles estão pedindo que os estabelecimentos políticos operem com transparência e responsabilidade – ou abram caminho para aqueles que queiram”.

Foto: Pxhere

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A corrupção está presente em todos os países, “ricos e pobres, ao norte e ao sul, desenvolvidos e em desenvolvimento”, declarou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao Conselho de Segurança, durante uma sessão sobre combate à corrupção pela paz e segurança internacionais, nesta segunda-feira (10).

“Os números acusam o tamanho surpreendente desse desafio”, disse o chefe da ONU, citando estimativas do Fórum Econômico Mundial de que a corrupção custa pelo menos 2,6 trilhões de dólares – cerca de 5% do produto interno bruto (PIB) global.

De acordo com o Banco Mundial, empresas e indivíduos pagam mais de 1 trilhão de dólares em suborno a cada ano.

Guterres também afirmou que a corrupção é responsável pelo subfinanciamento de escolas e hospitais, pela difícil funcionalidade de instituições, pela produção de um sentimento de desilusão com o governo – e, além disso, pode se constituir como um gatilho para o conflito.

“Os pobres e vulneráveis sofrem desproporcionalmente”, enfatizou, “e a impunidade agrava o problema.”

O chefe da ONU vinculou a corrupção a muitas formas de instabilidade e violência, como o tráfico de armas, drogas e pessoas, observando que as conexões entre corrupção, terrorismo e extremismo violento têm sido repetidamente reconhecidas pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral.

“Pesquisas de corrupção em grande escala conduzidas pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) apontaram que o suborno de funcionários públicos é particularmente alto em áreas afetadas por conflitos”, continuou. Em tempos de conflito, a corrupção pode ser devastadora, devido ao poder de afetar as necessidades básicas e exacerbar a fome e a pobreza, afirmou Guterres.

“É especialmente importante aumentar a capacidade das comissões nacionais de combate à corrupção e dos esforços das instituições dotadas do poder de condenação”, disse Guterres ao Conselho, incentivando os governos a garantir sistemas judiciários independentes, liberdade de imprensa e proteção aos denunciantes.

O chefe da ONU também sugeriu que a comunidade internacional trabalhe efetivamente contra a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos “que privam os países dos recursos tão necessários”, e que alimentam mais corrupção.

Guterres reiterou algumas formas como a organização pode apoiar os Estados-membros, “desde compartilhar boas práticas até apoiar esforços para fortalecer as instituições nacionais de combate à corrupção”.

Foto: António Guterres, secretário-geral da ONU. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Foto: António Guterres, secretário-geral da ONU. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O secretário-geral reconheceu que a população em todo o mundo continua a expressar indignação com seus líderes corruptos, observando o quão profundamente a corrupção está embutida nas sociedades: “Eles estão pedindo que os estabelecimentos políticos operem com transparência e responsabilidade – ou abram caminho para aqueles que queiram”.

“Eu peço aos líderes em todos os lugares que escutem, cultivem uma cultura de integridade e capacitem os cidadãos para fazerem sua parte”, declarou.

O evento contou com a participação de John Prendergast, cofundador – junto a George Clooney – da ‘The Sentry’, uma equipe de analistas, especialistas regionais e investigadores forenses financeiros que seguem o fluxo de dinheiro corrupto e suas ligações estreitas com senhores de guerra africanos que perpetuam atrocidades.

Com foco no continente africano, Prendergast destacou o papel principal da corrupção no abastecimento e extensão do conflito, explicando que a guerra tem sido um bom negócio para muitos.

Citando conflitos violentos, como os embates na República Democrática do Congo, no Sudão do Sul e na República Centro-Africana, Prendergast descreveu as oportunidades exploradas quando “existe um vínculo visível entre a grande corrupção e as atrocidades em massa”.

“Até que o Conselho de Segurança e outras partes interessadas com potencial de persuasão possam criar influência” para mudar a dinâmica do financiamento, pilhagem de recursos, saques e roubo de ativos estatais, Prendergast assegurou ao Conselho que “o resultado final será que a guerra continuará sendo mais benéfica que a paz para aqueles que estão no centro do conflito e da corrupção”.