Coronavírus: UNESCO e UNICEF trabalham para acelerar soluções de aprendizagem a distância

Como resposta imediata aos fechamentos em massa de escolas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) estabeleceu um grupo de trabalho COVID-19 para proporcionar assessoria e assistência técnica aos governos que trabalham para oferecer educação aos estudantes fora da escola.

Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou estar trabalhando com governos e outros parceiros para desenvolver modalidades de ensino a distância mais flexíveis que incluam conteúdo online, rádio e televisão, materiais de leitura e trabalhos de casa guiados.

A escala e a velocidade dos fechamentos de escolas e universidades representa um desafio sem precedentes para o setor da educação. Foto: UNICEF/Raoni Libório

Mais de 850 milhões de crianças e jovens — aproximadamente a metade da população estudantil mundial — permanecem afastados das escolas e universidades, com fechamentos nacionais efetivos em 102 países e fechamentos locais em outros 11 por conta do novo coronavírus.

A escala e a velocidade dos fechamentos de escolas e universidades representam um desafio sem precedentes para o setor da educação.

Os países do mundo inteiro se apressam para preencher a lacuna com soluções de educação a distância. Elas abrangem desde alternativas de alta tecnologia, como videoaulas em tempo real realizadas a distância, até opções de menor tecnologia, como a programação educativa em canais de televisão ou rádio.

Como resposta imediata aos fechamentos em massa de escolas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) estabeleceu um grupo de trabalho COVID-19 para proporcionar assessoria e assistência técnica aos governos que trabalham para oferecer educação aos estudantes fora da escola.

A Organização também está promovendo reuniões virtuais periódicas com os ministros da Educação do mundo inteiro para compartilhar experiências e avaliar as necessidades prioritárias.

A UNESCO também está lançando uma Coalizão Mundial para a Educação COVID-19, que reúne associados multilaterais e o setor privado, entre os quais Microsoft e GSMA, para ajudar os países a implantar sistemas de aprendizagem a distância a fim de reduzir ao mínimo os transtornos educacionais e manter o contato social com os alunos.

“A situação atual impõe aos países imensos desafios para conseguir proporcionar uma aprendizagem ininterrupta a todas as crianças e jovens de forma equitativa”, disse a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

“Estamos intensificando nossa resposta mundial mediante a criação de uma coalizão para garantir uma resposta rápida e coordenada. Além de satisfazer as necessidades imediatas, este esforço é uma oportunidade de repensar a educação, ampliar a aprendizagem a distância e fazer com que os sistemas educacionais sejam mais robustos, abertos e inovadores.”

“As dificuldades aumentarão exponencialmente caso os fechamentos das escolas se prolonguem”, afirmou Stefania Giannini, subdiretora geral de Educação da UNESCO. “As escolas, ainda que estejam longe de serem perfeitas, desempenham uma função niveladora na sociedade e quando estas se fecham, as desigualdades se agravam”.

A UNESCO continuará organizando periodicamente seminários na web e reuniões virtuais para que os representantes dos países tenham a oportunidade de trocar informações sobre a eficácia das abordagens utilizadas em diferentes contextos, aproveitando o sucesso de sua reunião ministerial no dia 10 de março da qual participaram 73 países.

A UNESCO listou as repercussões, muitas das quais vão mais além do setor da educação, para ajudar os países a prever e mitigar os problemas. Entre esses efeitos, constam os seguintes:

– A interrupção da aprendizagem: As desvantagens são desproporcionais para os alunos desfavorecidos, que geralmente têm menos oportunidades educacionais fora da escola.

– A nutrição: Muitas crianças e jovens dependem das refeições gratuitas ou com desconto oferecidas pelas escolas para se alimentar e fazê-lo de forma saudável. Quando as escolas fecham, a nutrição fica comprometida.

– Proteção: As escolas oferecem segurança a muitas crianças e jovens e, quando elas fecham, os jovens ficam mais vulneráveis e correm mais riscos.

– Os pais não estão preparados para a educação a distância no lar: Quando as escolas fecham, frequentemente se pede aos pais que facilitem a aprendizagem das crianças no lar, e eles podem ter dificuldades para realizar essa tarefa. Principalmente no caso de pais com educação e recursos limitados.

– Acesso desigual aos portais de aprendizagem digital: A falta de acesso à tecnologia ou a uma boa conexão de Internet é um obstáculo para a aprendizagem contínua, principalmente para os estudantes de famílias desfavorecidas.

– Lacunas no cuidado das crianças: Na falta de opções alternativas, os pais que trabalham costumam deixar seus filhos sozinhos quando as escolas fecham, o que pode levar a condutas de risco, incluindo uma maior influência da pressão dos colegas e o abuso de substâncias.

– Altos custos econômicos: Os pais que trabalham têm mais probabilidades de faltar ao trabalho quando as escolas fecham para cuidar de seus filhos. Isso resulta em perda de salário e redução da produtividade.

– Maior pressão sobre as escolas e os sistemas escolares que permanecem abertos: Os fechamentos localizados de escolas pressupõem uma carga para as outras, uma vez que os pais e os funcionários redirecionam as crianças para as escolas que estão abertas.

– Aumento das taxas de evasão escolar: É um desafio garantir que as crianças e jovens voltem e permaneçam na escola quando as atividades retornarem após os fechamentos. Isso vale especialmente para o caso de fechamentos prolongados.

– Isolamento social: As escolas são centros de atividade social e interação humana. Quando as escolas fecham, muitas crianças e jovens perdem o contato social, que é fundamental para a aprendizagem e o desenvolvimento.

América Latina e Caribe: 95% das crianças estão fora da escola

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que na América Latina e no Caribe, mais de 154 milhões de crianças, cerca de 95% dos alunos matriculados na região, estão temporariamente fora da escola devido à COVID-19.

Cerca de 90% dos centros de educação infantil e escolas de ensino fundamental e médio da América Latina e do Caribe permanecerão fechados pelas próximas semanas e esse percentual está crescendo rapidamente.

Essa situação, que pode durar mais do que o planejado inicialmente, aumenta o risco de abandono permanente, especialmente para crianças e adolescentes mais vulneráveis.

No Brasil, ainda não há uma determinação nacional para o fechamento das instituições de ensino, como em outros países da América Latina e do Caribe. No entanto, grande parte das redes públicas e da rede privada já determinou o fechamento das escolas.

Portanto, o UNICEF diz ser urgente tomar medidas para evitar a interrupção da educação e garantir o acesso a modalidades de ensino a distância continuadas e flexíveis para todas as crianças em casa, incluindo aquelas sem acesso à Internet e aquelas que têm alguma deficiência.

“Esta é uma crise educacional sem precedentes na história recente da América Latina e do Caribe”, disse Bernt Aasen, diretor regional a.i. do UNICEF para a América Latina e o Caribe.

“Nunca houve tantas escolas fechadas ao mesmo tempo. A expansão do coronavírus deixará a maioria das meninas e dos meninos fora da escola nas próximas semanas. Se o fechamento das escolas for prolongado, há um grande risco de as crianças e os adolescentes ficarem atrasados em seu aprendizado, e tememos que estudantes mais vulneráveis nunca voltem às salas de aula. É vital que eles não parem de aprender em casa.”

“Para continuar seus estudos em casa, todas as ferramentas e todos os canais disponíveis deverão ser utilizados, seja por rádio, televisão, Internet ou telefone celular. Só conseguiremos enfrentar esse desafio por meio de um esforço conjunto de governos, setor privado, pais, mães e crianças e adolescentes”, acrescentou Aasen.

Muitos países começaram a implementar modalidades de ensino a distância, incluindo cursos em plataformas digitais. No entanto, essas modalidades não são garantidas em toda a região, e nem todas as famílias têm acesso a elas, principalmente as mais vulneráveis.

Para o UNICEF, é prioritário fornecer conteúdo acessível no rádio e na televisão para crianças de baixa renda, em risco de exclusão, sem acesso à Internet, com deficiência, além de migrantes e comunidades indígenas.

Nesta semana, o UNICEF e seus parceiros lançarão a campanha de divulgação regional #AprendendoEmCasa por meio de seus canais digitais para fornecer às famílias e aos educadores da região ferramentas gratuitas de educação e entretenimento, além de dicas e exemplos de boas práticas de saúde e higiene.

O UNICEF diz reconhecer os esforços de todos os governos da região para garantir o direito à educação e afirma estar trabalhando com eles e outros parceiros para desenvolver modalidades de ensino a distância mais flexíveis que incluam conteúdo online, rádio e televisão, materiais de leitura e trabalhos de casa guiados.