Coronavírus e refugiados: o que o ACNUR está fazendo no Brasil e no mundo

A Agência ONU para Refugiados (ACNUR), juntamente com outras agências das Nações Unidas e organizações parceiras, acompanha de perto a situação da pandemia da COVID-19 e trabalha diariamente para mitigar os possíveis impactos do coronavírus nos refugiados, pessoas forçadas a se deslocar e comunidades que as acolhem.

Mais de 80% da população global de refugiados e de deslocados internos estão em países de renda baixa ou média, cujos sistemas de saúde e saneamento básico estão sobrecarregados. A superlotação nos campos, assentamentos e abrigos onde vivem é algo comum e representa um desafio adicional no combate à COVID-19, uma vez que o distanciamento social é uma das formas mais eficazes de combater a propagação deste vírus.

ACNUR realiza ações para mitigar o impacto da COVID-19 no refugiados. Foto: ACNUR

ACNUR realiza ações para mitigar o impacto da COVID-19 no refugiados. Foto: ACNUR

A COVID-19 não faz distinções. Os refugiados correm o mesmo risco de contrair e transmitir o vírus que as populações locais.

O que o ACNUR está fazendo no Brasil?

No Brasil, os efeitos da pandemia impõem desafios adicionais a um contexto já emergencial. As ações de prevenção e enfrentamento à pandemia do novo coronavírus que estão sendo adotadas pelo ACNUR e seus parceiros estão beneficiando pessoas refugiadas e as comunidades que as acolhem, evitando a transmissão da COVID-19 nestas populações:

Acesso à informação: o ACNUR está realizando sessões informativas com a população abrigada em Roraima (Boa Vista e Pacaraima) e Amazonas (Manaus). Conteúdos em espanhol e idiomas de etnias indígenas são distribuídos por meio de grupos de WhatsApp e outras redes de apoio, inclusive no Pará. O mesmo conteúdo, em português, tem sido compartilhando com as comunidades urbanas fora dos abrigos, onde vivem refugiados e migrantes venezuelanos. Estima-se que pelo menos 10 mil refugiados e migrantes venezuelanos já receberam as informações distribuídas pelo ACNUR e seus parceiros. Os materiais de informação têm como base conteúdos produzidos pela Organização Mundial da Saúde e são dispostos nos abrigos em Roraima e Amazonas, assim como em comunidades indígenas brasileiras fronteiriças, assentamentos informais e outros pontos de referência (estações rodoviárias e centros de atendimento) desta população. Por meio da plataforma HELP, o ACNUR compartilha mensagens informativas em cinco idiomas (português, espanhol, inglês, francês, árabe) com diretrizes claras de medidas preventivas que são compartilhadas em tempo real.

Distribuição de itens emergenciais: Cerca de 15 mil refugiados e migrantes venezuelanos em Pacaraima, Boa Vista, Belém e Manaus já foram beneficiados com a distribuição de aproximadamente 8.300 mil itens de assistência humanitária emergencial, como kits de higiene e limpeza, colchões, mosquiteiros, redes, roupas e fraldas para crianças e idosos. Kits adicionais serão distribuídos nas próximas semanas.

Ações coordenadas: Para fortalecer a capacidade de resposta em saúde, o ACNUR está apoiando a construção de uma área de proteção e cuidados para venezuelanos e brasileiros em Boa Vista. A construção está sendo liderada pela Força Tarefa Logística e Humanitária da Operação Acolhida, com capacidade para até 1.200 leitos, com uma área para casos suspeitos. O início de suas atividades está previsto para esta semana. Os serviços também poderão ser utilizados por moradores de outras cidades de Roraima que não tenham onde ficar em Boa Vista.

Em apoio a esta iniciativa da Operação Acolhida, o ACNUR doou 200 unidades habitacionais usadas nos abrigos para serem usadas como locais de atendimento e isolamento, além de colchões e kits de higiene.

Monitoramento: Por meio do monitoramento contínuo das fronteiras e dos aeroportos, as equipes do ACNUR e de seus parceiros trabalham para conter outros potenciais riscos adicionais envolvendo a chegada de pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio. Assim, é possível identificar e agir em casos de tráfico humano, violência de gênero e crianças desacompanhadas.

O que o ACNUR está fazendo no mundo?

Com base na experiência adquirida em emergências de saúde anteriores (Ebola, SARS e influenza), o ACNUR está tomando ações imediatas para freiar a disseminação e responder ao surto da COVID-19 globalmente. São elas:

Irã: O ACNUR enviou 4,4 toneladas de ajuda humanitária ao Irã. Os itens incluem máscaras, luvas e medicamentos essenciais para apoiar a resposta à COVID-19 no país. O Irã abriga quase um milhão de refugiados afegãos e seu sistema de saúde passa por uma situação crítica.

Campo de Refugiados de Maratane, Moçambique: Depois que Moçambique registrou seu primeiro caso da COVID-19 no início desta semana, equipes do ACNUR começaram a distribuir sabão e dar conselhos aos moradores sobre como se proteger do vírus.

Cox’s Bazer, Bangladesh: No maior assentamento de refugiados do mundo, em Bangladesh, o ACNUR está dando dicas de saúde e distribuindo sabão para reduzir o risco de um surto da COVID-19 entre os refugiados de rohingya.

Uganda: No país que abriga mais de 1,4 milhão de refugiados, o ACNUR produziu um vídeo explicando como os refugiados podem se proteger contra a COVID-19, esclarecendo alguns mitos comuns.

Campo de Refugiados de Zaatari, Jordânia: O maior campo de refugiados da região abriga quase 80.000 sírios, e os moradores criaram sua própria solução para garantir um distanciamento social adequado na fila de distribuição de alimentos, que acontece diariamente.

Ucrânia: Na região de Donetsk, em um centro comunitário para ucranianos deslocados, voluntários estão usando máquinas de costura doadas pelo ACNUR para produzir máscaras para a população local.

Polônia: Refugiados que moram na cidade portuária de Gdansk tomaram a iniciativa de costurar máscaras protetoras, item em falta no mercado, à medida que os sistemas de saúde no país se esforçam para tratar o crescente número de pacientes com COVID-19.