Coreia do Norte: Relator da ONU sobre direitos humanos faz visita de acompanhamento a Tóquio

Desde 2010, Marzuki Darusman fez diversos pedidos para visitar o país, sem sucesso. “Vou prestar especial atenção à questão dos sequestros, que continua a ser de grande preocupação para mim e para a comunidade internacional”, disse.

Mercado de Tongil, Pyongyang, Coreia do Norte. Foto: Instagram/Drew Kelly (instagram.com/drewkelly)

Mercado de Tongil, Pyongyang, Coreia do Norte. Foto: Instagram/Drew Kelly (instagram.com/drewkelly)

O relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, Marzuki Darusman, visitará Tóquio de 19 a 23 de janeiro para dar seguimento à sua missão anterior, em abril de 2014, para buscar informações sobre o tema no país asiático.

Desde a sua nomeação em 2010, o relator fez diversos pedidos para visitar a Coreia do Norte; no entanto, o acesso até agora não foi concedido. Darusman visitou outros países da região, como o Japão, a Tailândia e a Coreia do Sul.

“Esta nova visita ocorre no contexto de grandes desenvolvimentos recentes na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Coreia do Norte, com um aumento significativo do exame pela comunidade internacional das ações do governo da Coreia do Norte”, disse o especialista independente nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para investigar e informar sobre a situação dos direitos humanos no país.

“Mais do que nunca, eu vou prestar especial atenção à questão dos sequestros, que continua a ser de grande preocupação para mim e para a comunidade internacional”, disse Darusman, referindo-se aos sequestros de cidadãos japoneses alegadamente pelo governo norte-coreano.

No Japão, o relator especial deve se reunir com autoridades do governo, famílias das vítimas, representantes de organizações não governamentais, da comunidade diplomática e outras partes interessadas.

No final da sua visita, na sexta-feira, 23 de janeiro, o especialista vai realizar uma coletiva de imprensa no Japan National Press Club, em Tóquio. As informações que o relator especial reunirá durante sua missão ao Japão serão incluídas em seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos, em uma reunião em março de 2015.

Em dezembro de 2014, durante reunião no Conselho de Segurança da ONU sobre a atual situação na Coreia do Norte, o secretário-geral assistente da ONU para os direitos humanos, Ivan Šimonović, expressou otimismo com o engajamento das autoridades do país com os mecanismos internacionais de direitos humanos.

Segundo Simonovic, autoridades do país se envolveram de forma produtiva na Revisão Periódica Universal do Conselho de Direitos Humanos das ONU. Além disso, o governo de Pyongyang reabriu as investigações sobre supostos raptos de cidadãos japoneses.

No entanto, o encontro também serviu para apresentar o relatório de 400 páginas produzido pela Comissão de Inquérito da ONU sobre Direitos Humanos na Coreia Norte, que segundo seus autores detalha crimes “generalizados e sistemáticos” cometidos pelo governo de Pyongyang. O documento descreve “atrocidades indescritíveis” cometidos no país como assassinatos, escravidão, tortura, estupro, fome e desaparecimentos forçados, que podem se constituir crimes contra a humanidade.

Em abril de 2014, Darusman relatou que durante muitos anos a Coreia do Norte conseguiu ocultar a verdadeira magnitude e gravidade de suas atrocidades contra seu próprio povo e vítimas no exterior. Ele acrescentou que está “particularmente preocupado com os cerca de 80 mil a 120 mil presos políticos que permanecem dentro do sistema de detenção da Coreia Norte. Estes campos devem ser fechados e os prisioneiros deve ser libertados imediatamente”.