Coordenador da ONU no Sudão do Sul define violência em curso como ‘ultrajante’

Agências humanitárias enfrentam grandes desafios para ajudar mais de 70 mil civis nas bases da ONU e as outras 700 mil pessoas deslocadas. Apensa 36% dos recursos solicitados foram recebidos.

Polícia da ONU organiza os deslocados que procuram ajuda na Casa da ONU, na capital Juba. Foto: ONU/Isaac Billy

O número de pessoas que procuram abrigo na base da missão de paz da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) em Bentiu, capital do estado de Unity, dobrou nos últimos dias. O alerta foi dado pelo coordenador humanitário da ONU na região, Toby Lander, que afirmou também que a base em Bentiu abriga agora, 9 mil pessoas, o dobro de duas semanas atrás. A UNMISS enviou forças de paz para proteger os civis que procuram abrigo neste local.

“Se [a violência] não parar, o Sudão do Sul voltará a ter uma necessidade enorme [de] ajuda”, disse o coordenador, apelando para as partes em conflito acabar com a luta para o bem do povo do país.

“É realmente um insulto para as pessoas… que se pudessem viver em paz, poderiam contribuir muito para o desenvolvimento deste país”, acrescentou. Para ele, o Sudão do Sul só irá alcançar a paz com compaixão, humildade e uma nova maneira de pensar, o que lhe permitirá tornar-se um “Estado viável”, elogiando o progresso nos estados estáveis do país, como Equatória Ocidental.

“O desafio vital do Sudão do Sul deve ser o de alcançar a prosperidade econômica, ao invés de as pessoas apenas tentarem ficar vivas”, disse Lanzer.

Segundo o coordenador, as agências humanitárias enfrentam grandes desafios para ajudar os mais de 70 mil civis nas bases da ONU, e as outras 700 mil pessoas deslocadas pelo país. Além disso, estima-se que 7 milhões de sul-sudaneses estão em risco de passar fome.

A operação do Sudão do Sul recebeu apenas 36% dos 1,27 milhão de dólares do financiamento necessário para solucionar a crise.