Coordenador da ONU defende que voluntariado desafie desigualdades sociais em vez de aumentá-las

“O voluntariado não é sempre inclusivo”, alertou o chefe do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), Olivier Adam, em visita ao Brasil. Dirigente participou de encontro de gestores do programa do governo brasileiro Viva Voluntário. Iniciativa tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Em visita ao Brasil, o coordenador-executivo do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), Olivier Adam, defendeu que o voluntariado seja uma prática mais inclusiva. “É necessário que ele desafie as barreiras da desigualdade social, em vez de alargá-las”, afirmou o dirigente na terça-feira (6) em encontro de gestores do programa do governo brasileiro Viva Voluntário.

“O voluntariado não é sempre inclusivo”, alertou o chefe do UNV, que também chamou a atenção para o papel do organismo da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na concepção e fortalecimento de iniciativas nacionais de mobilização de voluntários.

Adam ressaltou a necessidade de “um plano de ação com parcerias sólidas para alavancar conhecimento e as capacidades da população (sobre a atuação como voluntário) no âmbito nacional, regional e internacional”.

Também presente, o diretor de país do PNUD no Brasil, Didier Trebucq, enfatizou que “o voluntariado é importante para a promoção do desenvolvimento e para o alcance dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)“.

“A Agenda 2030 convoca todas e todos para colaborarem diretamente com a construção de um planeta mais justo, com menos pobreza, com crescimento econômico e com sustentabilidade para as próximas gerações”, acrescentou o representante da agência da ONU.

Os gestores do Viva Voluntário debateram estratégias de voluntariado no Brasil e em outros países e também avaliaram eventuais cooperações entre as Nações Unidas e o governo.

Entre os problemas identificados pelos participantes para ampliar a prática em terras brasileiras, estão a legislação limitada, a dificuldade de construir uma rede sólida e o ainda insuficiente comprometimento de algumas organizações com os voluntários.

Segundo a coordenadora da Unidade de Paz do PNUD, Moema Freire, “o Viva Voluntário tem também como objetivo elaborar e aprovar o código de ética do voluntariado e das instituições responsáveis pelas atividades voluntárias e apoiar estudos e pesquisas sobre o voluntariado no país para a produção de uma base de dados”.

O Viva Voluntário foi lançado em 2017 pelo governo federal, com o apoio do PNUD. O foco do programa é a promoção do voluntariado por meio do engajamento e da participação cidadã, a partir da união de esforços do governo, da sociedade civil e de empresas.

O UNV foi criado pela Assembleia Geral da ONU em 1970 como um órgão subsidiário das Nações Unidas. Administrado pelo PNUD, o programa promove o voluntariado para a paz e o desenvolvimento. O organismo atua no Brasil desde 1998.

(Foto de capa do vídeo: PNUD/Gabriela Borelli)