Cooperação contínua é vital para Somália enfrentar desafios, diz enviado da ONU

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Em um ano em que milhões de civis somalis foram deslocados devido ao conflito armado e outros milhares foram mortos e feridos pela violência, o enviado das Nações Unidas para o país pediu cooperação contínua para enfrentar uma série de desafios prementes.

Residentes do campo de Bulo Isak, para pessoas internamente deslocadas, aguardam a vez para coletar água potável em Baidoa, na Somália. Foto:  UNICEF/Makundi

Residentes do campo de Bulo Isak, para pessoas internamente deslocadas, aguardam a vez para coletar água potável em Baidoa, na Somália. Foto:
UNICEF/Makundi

Em um ano em que milhões de civis somalis foram deslocados devido ao conflito armado e outros milhares foram mortos e feridos na violência, o enviado das Nações Unidas para o país pediu cooperação contínua para enfrentar uma série de desafios prementes.

“Ninguém deveria subestimar os muitos desafios à frente, e as sérias questões que continuam a retardar e mesmo ameaçar o progresso”, disse Michael Keating, representante especial do secretário-geral da ONU para a Somália.

“Estes incluem corrupção difusa, mais obviamente na política, e a vontade dos militantes de usar violência, ou a ameaça de violência, contra oponentes”, acrescentou. Observando que esses militantes mantiveram sua capacidade de realizar ataques devastadores, Keating também enfatizou que os grupos terroristas prosperam, entre outras coisas, com a ausência de governo local funcional e com os muitos conflitos em todo o país.

Necessidades humanitárias severas

Ao mesmo tempo, há necessidades humanitárias “severas e crescentes” por toda a nação do Chifre da África.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), as necessidades de segurança alimentar cresceram devido à limitada chuva, ao crescente deslocamento de pessoas, à falta de acesso a serviços básicos e à continuidade da insegurança e do conflito.

“O número de pessoas em emergência (humanitária) aumentou dez vezes, de 83 mil em janeiro para 866 mil em novembro de 2017”, disse o OCHA em boletim humanitário.

Emergência humanitária é o estado no qual a taxa de desnutrição aguda supera o limite de 15%. Na Somália, a taxa está em 17,4%.

Por todo o país, cerca de 6,2 milhões de pessoas estão em necessidade de assistência humanitária e proteção, e mais de metade desse número precisa de assistência urgente. Este ano, houve o deslocamento de mais 1 milhão de somalis, elevando o total de deslocados para mais de 2 milhões.

Perspectivas de recuperação humanitária em 2018 são desalentadoras

Com as previsões de poucas chuvas durante as duas principais temporadas de colheitas, assim como um crescente risco do fenômeno climático La Niña no primeiro semestre do ano que vem, as perspectivas de recuperação em 2018 são desalentadoras, disse a agência humanitária das Nações Unidas.

A assistência permanece, portanto, como prioridade urgente, disse o organismo, lembrando a necessidade de também enfrentar as causas das recorrentes crises humanitárias.

No mesmo sentido, Keating enfatizou a necessidade de maior cooperação para superar os obstáculos.

“Podem ser tiradas várias lições de 2017, tanto boas quanto ruins. Uma lição central é a de que quando os atores mais poderosos cooperam, sejam o governo federal, os estados, parlamentares, líderes anciãos, setor privado ou a comunidade internacional, um grande progresso pode ocorrer”, disse. “Quando não cooperam, os riscos são enormes”.


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